Publicações de 2016 (Doutorado)

  • Tese - Lande Vieira da Silva Júnior

    Bioinformática como ferramenta para o estudo do mecanismo de efluxo da bomba multidroga AcrB

    Autor: Lande Vieira da Silva Júnior (Currículo Lattes)

    Tese - Lande Vieira da Silva Júnior

  • Tese - Karine Ortiz Sanchotene

    Esporotricose felina no município do Rio Grande, RS, Brasil: epidemiologia, etiologia e antifungigrama dos isolados clínicos de Sporothrix brasiliensis

    Autor: Karine Ortiz Sanchotene (Currículo Lattes)

    Resumo

    A esporotricose se caracteriza como a principal micose subcutânea do Brasil, e em alguns estados como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, tem sofrido alteração epidemiológica, com modificação do seu caráter sapronótico para zoonótico, envolvendo especialmente felinos domésticos na transmissão. Nas últimas décadas, estudos moleculares permitiram comprovar que o felino doméstico infectado é a principal fonte de infecção da espécie Sporothrix brasiliensis (S. brasiliensis) para seres humanos e outros animais. Neste sentido, o estudo teve como objetivo caracterizar a epidemiologia e a etiologia da esporotricose felina no município do Rio Grande e avaliar a suscetibilidade in vitro dos isolados clínicos de S. brasiliensis. Foram incluídos no estudo todos os casos diagnosticados no laboratório de Micologia da FAMED-FURG no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2014. Os dados epidemiológicos foram obtidos por requisição específica, enviada juntamente à amostra clínica dos animais suspeitos da doença. O diagnóstico foi realizado por exames micológicos clássicos e os isolados clínicos foram identificados em nível de espécie por biologia molecular. Os testes de suscetibilidade in vitro foram realizados frente ao itraconazol (ITZ), terbinafina (TRB) e anfotericina B (AMB) de acordo com protocolos do Clinical and Laboratory Standadrs Institute (CLSI), M38A2 para fase filamentosa e M27A3 para fase leveduriforme. Durante o período do estudo, 230 amostras clínicas de felinos com suspeita de esporotricose foram encaminhadas, das quais 129 (56,1%) foram positivas, confirmando o diagnóstico da doença. Esses casos foram procedentes de 30 bairros distintos do município do Rio Grande, com destaque para o balneário Cassino. Ao longo do estudo, houve um incremento progressivo em relação ao número de amostras recebidas e, consequentemente, ao número de casos confirmados da doença, passando de 0,75 novos casos por mês em 2010 para 3,33 casos/mês em 2014. A maioria dos casos ocorreu em felinos machos, com livre acesso à rua e com lesões há mais de 30 dias da confirmação diagnóstica, o que favorece a disseminação da doença. Dos 129 isolados 35 foram identificados, e todos eles pertenciam à espécie S. brasiliensis. A TRB foi o antifúngico com melhor atividade in vitro frente a estes 35 isolados de S. brasiliensis testados, seguido do ITZ. Os valores de Concentração Inibitória Mínima (CIM) foram maiores para a fase filamentosa que para leveduriforme, e, valores altos de CIM (≥4µg/ml) determinando possível falha terapêutica para o ITZ e AMB, foram encontrados em torno de 20% e de 6 a 14% para isolados na fase filamentosa e leveduriforme, respectivamente. Embora a CIM dos antifúngicos tenha apresentado alta variabilidade, em cerca de 20% dos isolados a resistência in vitro a pelo menos um dos fármacos testados foi detectada. O elevado número de casos da esporotricose em felinos, associado às características que contribuem para disseminação da mesma por estes animais demonstradas neste estudo, evidencia a necessidade de implementação de medidas de controle e prevenção da doença no município do Rio Grande, a qual pode assumir uma proporção alarmante como problema de saúde pública regional tendo em vista seu caráter zoonótico.

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  • Tese - Angélica Ozorio Linhares

    SUPLEMENTAÇÃO COM ÁCIDO FÓLICO E SULFATO FERROSO ENTRE GESTANTES NO EXTREMO SUL DO BRASIL

    Autor: Angélica Ozorio Linhares (Currículo Lattes)

    Resumo

    O presente estudo teve como objetivo avaliar o uso do ácido fólico e do sulfato ferroso na gestação. Todas as mulheres que tiveram filhos no ano de 2013 nas duas maternidades do município de Rio Grande, RS foram convidadas a participar. As entrevistas foram realizadas por entrevistadores treinados utilizando questionário padrão, nas 24h após o parto. O total de puérperas entrevistadas foi de 2.685, representando 97% das mulheres que tiveram filhos em 2013 no município. Os dados coletados originaram dois artigos científicos. O primeiro apresenta a prevalência do uso do ácido fólico e os fatores associados ao seu uso. A análise estatística se realizou por regressão de Poisson. A prevalência de uso de ácido fólico na gestação foi de 54,2%. Os fatores associados ao uso de ácido fólico foram: cor da pele branca, viver com companheiro, escolaridade acima de 12 anos de estudo, renda familiar no quartil mais rico, primíparas, gestação planejada, seis ou mais consultas de pré-natal e início do pré-natal no primeiro trimestre da gestação. O segundo artigo avaliou a prevalência de uso de sulfato ferroso na gestação e a presença de iniquidade de acordo com o tipo de pré-natal (público e privado) para as variáveis idade, escolaridade e renda. Foi realizada uma análise descritiva e comparação das proporções por meio do teste qui-quadrado de Pearson. A cobertura de sulfato ferroso na gestação foi de 62,6% e os resultados mostraram que as maiores coberturas estão entre as mulheres com até 19 anos de idade, com menor escolaridade e renda e com expressivas diferenças entre quem utilizou o sistema público e privado. Os achados revelam que há iniquidade invertida de acordo com a renda familiar e o tipo de serviço no pré-natal em relação à utilização de sulfato ferroso. Em conclusão, a cobertura de suplementação de ácido fólico e de sulfato ferroso no município de Rio Grande é baixa. Torna-se necessário aumentar a cobertura destes dois suplementos, devido a sua relevante importância à saúde materno-infantil, priorizando grupos específicos a fim de diminuir as desigualdades em saúde.

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  • Tese - Maria Fernanda Martinez Barral

    Diversidade genética do HIV-1 e perfis de resistência nos domínios N- terminais e C-terminais da transcriptase reversa viral: análises experimentais e in silico

    Autor: Maria Fernanda Martinez Barral (Currículo Lattes)

    Resumo

    Com o advento da terapia antirretroviral (TARV), o status clínico de milhares de pessoas vivendo com HIV/Aids (PVHA) melhorou consideravelmente. Entretanto, um dos maiores desafios para a TARV é o acúmulo de mutações virais que eventualmente superam a eficácia do tratamento, levando à falha terapêutica e à progressão à Aids. A TARV padronizada mundialmente combina dois inibidores nucleosídicos/nucleotídicos da transcritase reversa (INTR/INtTR) e um inibidor não-nucleosídico da transcritase reversa (INNTR), que pode ser substituído por um inibidor de protease (IP) ou inibidor de integrase (II).Drogas atuais utilizadas no TARV foram sintetizadas e testadas tendo como base o subtipo B do HIV-1 (mais prevalente nos países desenvolvidos), mesmo o subtipo C sendo o mais prevalente mundialmente. O subtipo C também apresenta uma alta prevalência no sul do Brasil. Objetivos: Pesquisar o papel das diferentes mutações de resistência na TR do HIV-1 aos INTR e INNTR nos distintos subtipos virais do HIV-1. Pacientes e Métodos: Mais de 96 mil sequências provenientes do Banco de Dados de Resistência à Drogas em HIV de Stanford (http://hivdb.stanford.edu) de pacientes tratados com um INNTR de primeira linha (efavirenz ou nevirapina), dos subtipos A, B, C, D, F, G e CRF01_AE, CRF02_AG do grupo M do HIV-1 foram utilizadas para análise de mutações de resistência a esses INNTRs e a susceptibilidade a etravirina (ETR) e rilpivirina (RPV). Para análise de mutações de resistência na porção C-terminal da TR do HIV-1 em pacientes, foram utilizadas amostras de 105 pacientes em falha virológica, das cidades de Rio Grande, Porto Alegre e Curitiba, e 105 pacientes virgens de tratamento de Porto Alegre e de Curitiba. Setenta e sete amostras de pacientes tratados sob controle virológico de Porto Alegre foram analisadas para comparação. Sequências do subtipo C foram comparadas com sequências globais e do Brasil de indivíduos virgens de tratamento. Foram sequenciadas as regiões genômicas virais referentes ao subdomínio da conexão (CN) e ao domínio da RNase H. Para testar fenotipicamente as mutações de resistência no subdomínio da CN da TR associadas a mutações do domínio POL frente às diferentes drogas, foram realizadas reações de mutagêneses sítio-dirigidas em clones de subtipo B. Resultados: No estudo in sílico foi observado que a NVP seleciona a mutação Y181C, enquanto que EFV seleciona K103N. Verificou-se uma maior susceptibilidade a ETR e RPV no tratamento com EFV. A mutação 138K foi encontrada em maiores frequências nos subtipos A e C, podendo comprometer a eficácia do tratamento com RPV. Mutações subtipo-C específicas foram caracterizadas pela primeira vez em HIV-1 de subtipo não-B foram encontradas na porção C-terminal da TR: M357R no subdomínio CN e E529D no domínio RNase H. Os mutantes obtidos até o momento para análise fenotípica foram: wt, wt +348I, wt + 369V, wt + 371V, M41L + wt,M41L+348I, M41L+369V eM41L+371V. Conclusões: Importantes informações foram demonstradas neste trabalho, principalmente, devido ao fato de existirem poucos estudos sobre subtipos não-B.

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  • Tese - Gisele Rodrigues de Oliveira

    DISTRIBUIÇÃO E VARIABILIDADE GÊNICA DE HPV DE ALTO E BAIXO RISCO ONCOGÊNICO EM MULHERES COM E SEM LESÕES INTRAEPITELIAIS CERVICAIS E O CARCINOMA “in situ” NO SUL DO BRASIL

    Autor: Gisele Rodrigues de Oliveira (Currículo Lattes)

    Resumo

    A infecção pelo HPV é o fator necessário ao desenvolvimento do câncer cervical, sendo os tipos 16 e 18 responsáveis por aproximadamente 70% dos casos. No Brasil, o câncer cervical é o terceiro tipo mais frequente em mulheres. A caracterização das variantes intratipo dos HPVs associadas ao câncer cervical é de grande relevância, visto que evidências sugerem que essas variantes podem diferir biologicamente no desenvolvimento do câncer. Tendo em vista a relevância do câncer cervical, a sua associação com diferentes tipos de HPVs e suas variantes, o presente trabalho teve por objetivos: 1- Identificar a prevalência dos tipos de HPV a partir de amostras de mulheres HIV-1 positivas e negativas, com e sem lesões intraepiteliais cervicais e carcinoma “in situ”, atendidas no Hospital Universitário (H.U. – FURG) e em UBS do município do Rio Grande, RS; 2- Analisar os fatores associados à infecção em mulheres; 3- Identificar a prevalência das variantes do HPV 16 com primers tipo específico; 4- Sequenciar o genoma completo e identificar variantes do HPVs de baixo e alto risco por sequenciamento de nova geração (NGS). Para a detecção e genotipagem do HPV de células cervicais de 302 mulheres gestantes e não gestantes HIV-1 positivas e negativas foi realizado PCR e sequenciamento direto utilizando os iniciadores MY09/11 e GP5/6. Foram calculadas as razões de prevalência associadas às variáveis estudadas pelo teste exato de Fisher ou χ2 e de regressão de Poisson. Foi detectado o HPV em 55 (18,2%) mulheres; destas, 31 eram gestantes, apresentando uma associação significativa para a presença do HPV (p=0,04) quando comparadas às não gestantes. Os fatores de risco para infecção foram: pacientes com idades ≤20 anos (p=0,04), início precoce das relações sexuais (p=0,04), ausência do exame citopatológico (p=0,01), diagnóstico de citopatológico alterado (p=0,001) e contagem ≤349 células T/CD4mm3 (p=0,05). No entanto, a multiparidade constitui-se como fator de proteção para a infecção (p=0,01). Na análise multivariada, demonstrou-se que idade ≤20 anos (RP=2,8; IC95% 1,0–7,7, p=0,04) e diagnóstico de citopatológico alterado (RP=11,1; IC95% 3,0–4,1, p=0,001) persistiram associadas significativamente à infecção. Os genótipos identificados foram: oito HPV16 e 58; seis HPV6; quatro HPV18 e 33; três HPV53 e 82; dois HPV83 e 61; um HPV31, 35, 45, 64, 68, 71 e 85. A amplificação e sequenciamento de HPV em 445 biópsias e células cervicais foram realizados a partir da PCR e sequenciamento direto utilizando os iniciadores MY09/11 e GP5/6. Foi detectado 24% (86/355) de prevalência do vírus nas amostras de células cervicais e 91.1% (82/90) nas amostras de biópsias cervicais. Os tipos mais prevalentes detectados em todas as mulheres incluídas neste estudo foram o 16 (84%) e 58 (27%). Para a identificação das variantes do HPV16, as amostras foram submetidas à amplificação por PCR e sequenciamento com primers tipo específico das regiões LCR e E6 e identificação de polimorfismos único (SNPs) para cada variante. Das 52 amostras HPV16 analisadas para SNPs, 46 foram classificadas como pertencentes à linhagem A (88.4%) cinco a linhagem D (9,6%) e uma a linhagem B (1.9%). No estudo de NGS foram utilizadas amostras de células cervicais de mulheres infectadas pelo HPV previamente genotipadas por Oliveira et al. (2013) para identificação de variantes intratipo pela análise filogenética e distancia genética. Quinze amostras de células cervicais infectadas pelo HPV foram sequenciadas por NGS sendo detectado em 62% (10/15) das amostras infecções múltiplas e realizada a análises filogenéticas e distância genética para 18 genomas completos. Estes resultados demonstram uma alta diversidade de HPV tipos oncogênicos e a distribuição das linhagens de HPV de alto e baixo risco no Sul do Brasil, uma maior frequência das linhagens de HPV16 mais prevalentes na Europa e Norte-americana, de acordo com o background genético da população do Sul do Brasil. Além da associação de fatores sociodemográficos e ginecológicos com a infecção viral.

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  • Tese - Lisiane Ortiz Teixeira

    Adapatação e análise das propriedades psicométricas de dois questionários para avaliar o conhecimento sobre DST e HIV/AIDS

    Autor: Lisiane Ortiz Teixeira (Currículo Lattes)

    Resumo

     

    Objetivo: Adaptar e avaliar as propriedades psicométricas da versão brasileira do Sexually Transmitted Disease Knowledge Questonnaire (STD-KQ) e do HIV Knowledge Questonnaire (HIV-KQ). Materiais e Métodos: Foi aplicada a metodologia descrita por Reichenheim que consta de 2 traduções e 2 retraduções de forma independente e simultânea; criação de uma versão consenso; avaliação da equivalência semântica e da equivalência operacional; validação por especialistas (validade aparente e validade de conteúdo); validação pela população e validação de mensuração (propriedades psicométricas). A validação por especialistas foi mensurada pelo Método das porcentagens e pelo Coeficiente de Validade de Conteúdo (CVC). A discussão com a população foi realizada por meio de grupos focais com 15 usuários de centros comunitários e 15 universitários. As propriedades psicométricas foram avaliadas em uma amostra probabilística de 450 universitários por meio das Análises Fatorais (Exploratória e Confirmatória) e da Fidedignidade, avaliada pela consistência interna (α Cronbach), pela estabilidade temporal (Correlação de Pearson e Kappa) e pelas correlações item-total e item-resto. Foi avaliado o conhecimento de acordo com o sexo, a idade, a cor da pele, a condição civil, o curso e o semestre. Resultados: Os questionários apresentaram valores satisfatórios de validade aparente e validade de conteúdo (CVC ≥ 0,8). Durante a validade de conteúdo, no HIV-KQ, dois itens foram retirados. No STD-KQ, uma questão foi retirada e duas sobre sífilis foram acrescentadas. Itens com problemas de compreensão foram retificados de acordo com as sugestões dos juízes e dos grupos focais. A Análise Fatorial Exploratória identificou uma estrutura de um fator nos dois questionários, sendo a unidimensionalidade dessa estrutura corroborada pela Análise Fatorial Confirmatória. Mais cinco itens foram retirados do STD-KQ e 13 do HIV-KQ por apesentarem baixa carga com o fator (<0,30) e baixa correlação item-teste (<0,30). Os dois questionários apresentaram boa consistência interna (αSTD = 0,86; αHIV = 0,79) e estabilidade temporal (rSTD = 0, 86 e kSTD = 0,16; rHIV = 0, 86 e kHI V= 0,23). Conclusões: A adaptação destes questionários apresentaram resultados satisfatórios e apropriados para utilização na avaliação do conhecimento sobre o HIV/Aids e outras DST.

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  • Tese - Sheelen Larissa Ruwer

    ESTUDO DA TRIAGEM AUDITIVA NEONATAL EM UM MUNICÍPIO DO SUL DO BRASIL

    Autor: Sheelen Larissa Ruwer (Currículo Lattes)

    Resumo

    A saúde auditiva dos recém-nascidos tem sido objeto de preocupações e estudos na busca de alternativas que possam minimizar seus efeitos deletérios sobre o desenvolvimento social, emocional e cognitivo do indivíduo. Em virtude do impacto da deficiência auditiva no desenvolvimento da criança, evidencia-se a necessidade da realização de pesquisas de cunho epidemiológico, no intuito de conhecer a magnitude do problema e contribuir para o planejamento, execução e ações de promoção e prevenção em saúde auditiva. A presente pesquisa trata-se de um censo, incluindo a díade mãe-bebê e, tem por objetivo avaliar a cobertura da Triagem Auditiva Neonatal (TAN) no município do Rio Grande/RS e analisar os fatores associados à sua realização. O estudo apresentou delineamento transversal, de base populacional, incluiu 2687 recém-nascidos no município entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2013. Na primeira etapa as mães responderam a um questionário pré-codificado e num segundo momento, noventa dias após o nascimento do bebê, foi verificado, se a criança realizou as Emissões Otoacústicas, a necessidade de reteste e resultados. O estudo verificou uma cobertura da TAN de 87,8%, sendo que 75% realizaram a triagem até 30 dias de vida e índice de 0,8% de neonatos encaminhados para diagnóstico. Após análise ajustada, identificou-se que nascer no hospital que apresenta o Programa de TAN aumenta a chance de realizar a triagem, assim como, maior escolaridade materna, ter companheiro, mulheres com até 3 filhos, que trabalharam e não consumiram bebida alcoólica durante a gestação e o bebê ter nascido com peso superior a 2.500g.  Cabe ressaltar a importância de implantar efetivamente o Programa de TAN em todos os hospitais e maternidades, públicos e privados, além de divulgar amplamente e sensibilizar a família, os profissionais e gestores em saúde quanto à necessidade da detecção precoce da deficiência auditiva.

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  • Tese - Mariza Zanchi

    MATERNIDADE NA ADOLESCÊNCIA E JUVENTUDE NO EXTREMO SUL DO BRASIL

    Autor: Mariza Zanchi (Currículo Lattes)

    Resumo

    A gravidez na adolescência tem sido evento presente em todas as épocas e  culturas ao longo da história da humanidade. Contudo, com as mudanças socioculturais  do século XX, as mulheres ampliaram sua realização pessoal e profissional. Nesse  contexto, a gestação precoce pode ocasionar a interrupção de aspectos relevantes em  suas vidas. A maternidade é um desafio no desenvolvimento das adolescentes  proporcionando tanto oportunidade para crescimento nas áreas de responsabilidades,  quanto restrições socioeconômicas (MARANHÃO;GOMES; OLIVEIRA, 2012; KIRISITS;  KIRCHENGAST, 2013). 

    Essa pesquisa objetivou estudar a maternidade na adolescência e na juventude,  no município do Rio Grande. Em um primeiro momento, foi realizada uma abordagem  qualitativa para identificar as transformações oriundas da maternidade na adolescência  na perspectiva de jovens mulheres. A etapa quantitativa apresentou: um componente  transversal aninhado a uma coorte, para mensurar a qualidade de vida após a  maternidade na adolescência, e, um componente longitudinal prospectivo, para estimar  a taxa de recorrência da gestação e os fatores associados. 

    Os resultados e a discussão desse estudo estão apresentados na forma de  manuscritos. No estudo ―Maternidade na adolescência: ressignificando a vida?‖ de  abordagem qualitativa descritiva com 34 jovens que tinham tido parto quatro anos atrás,  por meio de entrevista semiestruturada com questões sobre a vida antes e após a  maternidade, por intermédio da Análise de Conteúdo, emergiram três categorias, vida  de adolescente, liberdade de ser e mudanças no viver. A vida das adolescentes antes  da gravidez mostra-se heterogênea nos aspectos sociais, laborais e estudantis. Após a  maternidade, reconfiguram-se a liberdade de ser e as mudanças no viver, trazendo  perdas relacionadas ao abandono dos estudos, a privação da vida social e ao estigma  da maternidade precoce. No entanto existem ganhos oriundos da ressignificação do  modo de viver, que configuram o abandono de condutas ilegais e criminosas, a  aquisição de autoconfiança e a redução da exposição à violência intrafamiliar.  Concluindo-se que a maternidade acarreta sentimento de plenitude e nova identidade  social. 

    Para avaliar-se a qualidade de vida realizamos um estudo epidemiológico em  que participaram 112 mulheres que tiveram filho na adolescência, em 2010. A coleta  dos dados foi feita de julho a dezembro de 2014 nos domicílios e com a utilização de  dois instrumentos: um questionário sociodemográfico e a escala genérica do Índice de  Qualidade de Vida - IQV. Os resultados demonstraram o IQV geral 24,83. O domínio  socioeconômico teve o menor escore atribuído (21,89) e o domínio família obteve o  maior escore de satisfação com a vida (27,67). As variáveis estatisticamente  significativas foram: a idade, a escolaridade, a renda per capta e a situação conjugal,  impactando na qualidade de vida das mães. Conclui-se que elas percebem sua vida  positivamente, por meio da maior importância e satisfação com a sua família. 

    Ao estudar-se a recorrência da gestação e os fatores associados em jovens, a população da pesquisa foi constituída de 112 mulheres que tiveram filho no ano de  2010, quando adolescentes. A amostra foi estudada em dois estágios, sendo, no  primeiro, por meio de um censo e, no segundo, as jovens localizadas, residentes na  área urbana do município do Rio Grande e que aceitaram participar do segmento, tendo como critérios de exclusão: óbito da criança; filhos sob responsabilidade de outros. A  taxa de recorrência de gravidez encontrada foi de 53,6% com tempo médio 28,8 meses.  Após a análise, observou-se que para cada ano a mais de estudo, existe uma proteção  de 16% para não ter uma nova gestação na adolescência. Além disso, as mulheres  classificadas com o 2º e 3º quartil de renda tiveram um risco duas vezes maior de  recorrer na gestação quando comparadas as mulheres do maior quartil de renda.  Concluindo-se que a recorrência de gravidez na adolescência representou a pouca  valorização da educação formal, este fato pode mitigar a vivência de oportunidades e  dificultar a inserção no mercado de trabalho, criando um ciclo de desigualdade social.

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  • Tese - Luis Augusto Xavier Cruz

    Histologia hepática e perfil migratório de larvas de Toxocara canis em camundongos tratados com Saccharomyces boulardii

    Autor: Luis Augusto Xavier Cruz (Currículo Lattes)

    Resumo

    Estudos experimentais têm revelado resultados promissores relacionados ao uso do  probiótico Saccharomyces boulardii como auxlilar no controle da toxocaríase visceral. Este estudo teve como objetivo avaliar o efeito deste probiótico sobre o perfil de  migração de larvas de Toxocara canis e sobre o recrutamento de células de defesa  não residentes no fígado de camundongos BALB/c com toxocaríase aguda. Este  estudo foi dividido em três etapas. Na Etapa I foram formados três grupos de  camundongos: GPB tratado com S. boulardii (107 UFC/g); GTBZ tratado com  tiabendazol (2,5 mg/grama); GC (controle). A seguir, cinco camundongos de cada  grupo foram eutanasiados no 2o, 4o, 6o, 8o, 10o e 14o dia pós-inoculação (DPI) de 300  ovos embrionados de T. canis, sendo realizada digestão tecidual de órgãos e da  musculatura estriada esquelética (carcaça) para recuperação e quantificação de  larvas de T. canis. Na Etapa II foi realizada digestão tecidual e pesquisa de larvas de  T. canis nos quatro lobos hepáticos de camundongos, 2 DPI de 300 ovos do parasito. Na Etapa III foi realizada a determinação de padrões de referência de infiltrados  inflamatórios, no lobo hepático esquerdo de camundongos não infectados (GNI), pelo  método da hematoxilina/eosina e coloração de Azan. Após, foram formados os  mesmos grupos da etapa I: GPB, GTBZ e GC, sendo que no 2o e 14o DPI ovos de T.  canis, três camundongos de cada grupo foram eutanasiados para posterior análise  histológica do lobo hepático esquerdo. Na Etapa I, foi observado que no GPB e GC houve migração hepato-pulmonar entre o 2o e 4o DPI e a partir do 6o DPI ocorreu  migração neurotrópica e miotrópica, enquanto que no GTBZ, as larvas se mantiveram  em maior proporção no fígado (>78,7%) em todo o período experimental. Na Etapa II, foi verificada distribuição homogênea das larvas entre os lobos direito (10,5), esquerdo  (10,9) e medial (9,6) (p>0,05), sendo esta superior à verificada no lobo caudado (3,7)  (p<0,05). Na Etapa III, foram caracterizados quatro padrões de referência de infiltrados  inflamatórios (0, I, II, III) relacionados as células de defesa recrutadas (neutrófilos,  eosinófilos e linfócitos), sua organização e localização no fígado de camundongos GNI. Em relação as áreas ocupadas por infiltrados de células de defesa (AI), aos 2  DPI, foi registrada AI de 0,10% nos camundongos do GPB, sendo esta 10 vezes  superior à registrada nos camundongos GNI (0,01%), e 2,5 vezes superior à registrada  no GTBZ e GC (0,04%) (p<0,01). Aos 14 DPI, foram observadas AI próximas entre os  GTBZ (0,13%), GC (0,11%) e GPB (0,09%) (p<0,01). Conclui-se que o probiótico (a)  induz um rápido recrutamento de células de defesa para o fígado de camundongos;  (b) estimula um importante recrutamento de linfócitos e neutrófilos, associado a  hipertrofia de células vasculares endoteliais nos sinusóides hepáticos no início da  infecção; (c) induz o recrutamento de eosinófilos nas áreas próximas às larvas do  parasito no início da infecção; (d) não interfere no padrão de migração de larvas de T.  canis.

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  • Tese - Cláudio Moss da Silva

    "HEPATITE E" E O USO DE ÁLCOOL EM PACIENTES HIV+ NO SUL DO BRASIL

    Autor: Cláudio Moss da Silva (Currículo Lattes)

    Resumo

    As pessoas que vivem com HIV/AIDS (PLWHA) frequentemente compartilham condições clínicas e epidemiológicas que não são rotineiramente investigadas. Tais condições podem ser importantes na evolução da enfermidade. O Vírus da Hepatite E (HEV) tem uma distribuição mundial e um comportamento epidemiológico que depende principalmente da estrutura sanitária existente na região estudada, do genótipo implicado e da condição imunológica do indivíduo. No Brasil, a Hepatite E (HE) tem sido pouco estudada; o genótipo do vírus circulante é o três (HEV3), a sua transmissão tem sido caracterizada como zoonótica e a ocorrência de hepatite é esporádica. Estudos recentes demonstraram que a infecção por esse genótipo pode evoluir à cronicidade em indivíduos com comprometimento imunológico. O uso de álcool, além de comum entre PLWHA, é mais frequente que na população geral e pode determinar desfechos desfavoráveis nesse grupo de indivíduos. O primeiro objetivo deste estudo foi avaliar o HEV; sua prevalência sorológica e molecular em pacientes infectados pelo HIV (HIV+) e em doadores de sangue e estudar os fatores de risco associados à sua ocorrência. O segundo objetivo foi avaliar o uso de álcool entre pacientes HIV+ bem como os fatores de risco para o seu uso abusivo e suas consequências sobre as contagens de células CD4+ e carga viral do HIV. Foi realizado um estudo transversal onde foram avaliados 360 pacientes HIV+ atendidos em um hospital universitário e 281 doadores de sangue de um serviço de hemoterapia, ambos na cidade de Rio Grande, sul do Brasil. Os participantes foram entrevistados e suas amostras de plasma submetidas à pesquisa do HEV por métodos sorológicos e moleculares. O uso de álcool foi avaliado empregando o questionário AUDIT. Os resultados mostraram soroprevalências da imunoglobulina G (IgG) anti-HEV semelhantes para os dois grupos (7,2% entre os HIV+ e 5,7% entre os doadores de sangue). Os fatores associados à sorologia positiva para o HEV no grupo de pacientes HIV+ foram: ter idade acima de 40 anos, possuir companheiro ou parceiro fixo, três ou mais parceiros sexuais no último ano, a ausência de rede de esgoto no domicílio e fazer o uso nocivo de álcool. Para os doadores de sangue o único fator associado foi residir em região rural. A pesquisa molecular do HEV identificou o genoma viral em oito (2,2%) pacientes HIV+, amostras anteriores e posteriores desses pacientes mostraram-se negativas. Um doador de sangue apresentou testes sorológicos e moleculares simultaneamente positivos para o HEV, sugerindo uma infecção aguda. A investigação do caso descartou a transmissão viral ao receptor do sangue transfundido. O uso abusivo de álcool foi observado em 28,6% dos pacientes HIV+ entrevistados e a possível dependência em 5%. Os fatores de risco identificados para o uso abusivo de álcool incluíram o sexo masculino, a cor da pele parda ou negra, o baixo nível de educação e o uso de drogas ilícitas inalatórias e injetáveis. Escores mais elevados no AUDIT se associaram a menores contagens de células CD4+ entretanto, não influenciaram a carga viral do HIV. Conclui-se que a infecção pelo HEV é comum e acomete de forma semelhante pacientes HIV+ e doadores de sangue; no entanto, os fatores associados para cada um desses grupos foram diferentes. Nenhum caso de infecção crônica pelo HEV foi observado. A prevalência do uso abusivo de álcool foi elevada e se associou a fatores socioeconômicos e ao uso de drogas ilícitas. O escore AUDIT afetou negativamente a contagem de células CD4+. 

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