Histologia hepática e perfil migratório de larvas de Toxocara canis em camundongos tratados com Saccharomyces boulardii
Autor: Luis Augusto Xavier Cruz (Currículo Lattes)
Resumo
Estudos experimentais têm revelado resultados promissores relacionados ao uso do probiótico Saccharomyces boulardii como auxlilar no controle da toxocaríase visceral. Este estudo teve como objetivo avaliar o efeito deste probiótico sobre o perfil de migração de larvas de Toxocara canis e sobre o recrutamento de células de defesa não residentes no fígado de camundongos BALB/c com toxocaríase aguda. Este estudo foi dividido em três etapas. Na Etapa I foram formados três grupos de camundongos: GPB tratado com S. boulardii (107 UFC/g); GTBZ tratado com tiabendazol (2,5 mg/grama); GC (controle). A seguir, cinco camundongos de cada grupo foram eutanasiados no 2o, 4o, 6o, 8o, 10o e 14o dia pós-inoculação (DPI) de 300 ovos embrionados de T. canis, sendo realizada digestão tecidual de órgãos e da musculatura estriada esquelética (carcaça) para recuperação e quantificação de larvas de T. canis. Na Etapa II foi realizada digestão tecidual e pesquisa de larvas de T. canis nos quatro lobos hepáticos de camundongos, 2 DPI de 300 ovos do parasito. Na Etapa III foi realizada a determinação de padrões de referência de infiltrados inflamatórios, no lobo hepático esquerdo de camundongos não infectados (GNI), pelo método da hematoxilina/eosina e coloração de Azan. Após, foram formados os mesmos grupos da etapa I: GPB, GTBZ e GC, sendo que no 2o e 14o DPI ovos de T. canis, três camundongos de cada grupo foram eutanasiados para posterior análise histológica do lobo hepático esquerdo. Na Etapa I, foi observado que no GPB e GC houve migração hepato-pulmonar entre o 2o e 4o DPI e a partir do 6o DPI ocorreu migração neurotrópica e miotrópica, enquanto que no GTBZ, as larvas se mantiveram em maior proporção no fígado (>78,7%) em todo o período experimental. Na Etapa II, foi verificada distribuição homogênea das larvas entre os lobos direito (10,5), esquerdo (10,9) e medial (9,6) (p>0,05), sendo esta superior à verificada no lobo caudado (3,7) (p<0,05). Na Etapa III, foram caracterizados quatro padrões de referência de infiltrados inflamatórios (0, I, II, III) relacionados as células de defesa recrutadas (neutrófilos, eosinófilos e linfócitos), sua organização e localização no fígado de camundongos GNI. Em relação as áreas ocupadas por infiltrados de células de defesa (AI), aos 2 DPI, foi registrada AI de 0,10% nos camundongos do GPB, sendo esta 10 vezes superior à registrada nos camundongos GNI (0,01%), e 2,5 vezes superior à registrada no GTBZ e GC (0,04%) (p<0,01). Aos 14 DPI, foram observadas AI próximas entre os GTBZ (0,13%), GC (0,11%) e GPB (0,09%) (p<0,01). Conclui-se que o probiótico (a) induz um rápido recrutamento de células de defesa para o fígado de camundongos; (b) estimula um importante recrutamento de linfócitos e neutrófilos, associado a hipertrofia de células vasculares endoteliais nos sinusóides hepáticos no início da infecção; (c) induz o recrutamento de eosinófilos nas áreas próximas às larvas do parasito no início da infecção; (d) não interfere no padrão de migração de larvas de T. canis.
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