Tese - Angélica Ozorio Linhares

SUPLEMENTAÇÃO COM ÁCIDO FÓLICO E SULFATO FERROSO ENTRE GESTANTES NO EXTREMO SUL DO BRASIL

Autor: Angélica Ozorio Linhares (Currículo Lattes)

Resumo

O presente estudo teve como objetivo avaliar o uso do ácido fólico e do sulfato ferroso na gestação. Todas as mulheres que tiveram filhos no ano de 2013 nas duas maternidades do município de Rio Grande, RS foram convidadas a participar. As entrevistas foram realizadas por entrevistadores treinados utilizando questionário padrão, nas 24h após o parto. O total de puérperas entrevistadas foi de 2.685, representando 97% das mulheres que tiveram filhos em 2013 no município. Os dados coletados originaram dois artigos científicos. O primeiro apresenta a prevalência do uso do ácido fólico e os fatores associados ao seu uso. A análise estatística se realizou por regressão de Poisson. A prevalência de uso de ácido fólico na gestação foi de 54,2%. Os fatores associados ao uso de ácido fólico foram: cor da pele branca, viver com companheiro, escolaridade acima de 12 anos de estudo, renda familiar no quartil mais rico, primíparas, gestação planejada, seis ou mais consultas de pré-natal e início do pré-natal no primeiro trimestre da gestação. O segundo artigo avaliou a prevalência de uso de sulfato ferroso na gestação e a presença de iniquidade de acordo com o tipo de pré-natal (público e privado) para as variáveis idade, escolaridade e renda. Foi realizada uma análise descritiva e comparação das proporções por meio do teste qui-quadrado de Pearson. A cobertura de sulfato ferroso na gestação foi de 62,6% e os resultados mostraram que as maiores coberturas estão entre as mulheres com até 19 anos de idade, com menor escolaridade e renda e com expressivas diferenças entre quem utilizou o sistema público e privado. Os achados revelam que há iniquidade invertida de acordo com a renda familiar e o tipo de serviço no pré-natal em relação à utilização de sulfato ferroso. Em conclusão, a cobertura de suplementação de ácido fólico e de sulfato ferroso no município de Rio Grande é baixa. Torna-se necessário aumentar a cobertura destes dois suplementos, devido a sua relevante importância à saúde materno-infantil, priorizando grupos específicos a fim de diminuir as desigualdades em saúde.

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