DISTRIBUIÇÃO E VARIABILIDADE GÊNICA DE HPV DE ALTO E BAIXO RISCO ONCOGÊNICO EM MULHERES COM E SEM LESÕES INTRAEPITELIAIS CERVICAIS E O CARCINOMA “in situ” NO SUL DO BRASIL
Autor: Gisele Rodrigues de Oliveira (Currículo Lattes)
Resumo
A infecção pelo HPV é o fator necessário ao desenvolvimento do câncer cervical, sendo os tipos 16 e 18 responsáveis por aproximadamente 70% dos casos. No Brasil, o câncer cervical é o terceiro tipo mais frequente em mulheres. A caracterização das variantes intratipo dos HPVs associadas ao câncer cervical é de grande relevância, visto que evidências sugerem que essas variantes podem diferir biologicamente no desenvolvimento do câncer. Tendo em vista a relevância do câncer cervical, a sua associação com diferentes tipos de HPVs e suas variantes, o presente trabalho teve por objetivos: 1- Identificar a prevalência dos tipos de HPV a partir de amostras de mulheres HIV-1 positivas e negativas, com e sem lesões intraepiteliais cervicais e carcinoma “in situ”, atendidas no Hospital Universitário (H.U. – FURG) e em UBS do município do Rio Grande, RS; 2- Analisar os fatores associados à infecção em mulheres; 3- Identificar a prevalência das variantes do HPV 16 com primers tipo específico; 4- Sequenciar o genoma completo e identificar variantes do HPVs de baixo e alto risco por sequenciamento de nova geração (NGS). Para a detecção e genotipagem do HPV de células cervicais de 302 mulheres gestantes e não gestantes HIV-1 positivas e negativas foi realizado PCR e sequenciamento direto utilizando os iniciadores MY09/11 e GP5/6. Foram calculadas as razões de prevalência associadas às variáveis estudadas pelo teste exato de Fisher ou χ2 e de regressão de Poisson. Foi detectado o HPV em 55 (18,2%) mulheres; destas, 31 eram gestantes, apresentando uma associação significativa para a presença do HPV (p=0,04) quando comparadas às não gestantes. Os fatores de risco para infecção foram: pacientes com idades ≤20 anos (p=0,04), início precoce das relações sexuais (p=0,04), ausência do exame citopatológico (p=0,01), diagnóstico de citopatológico alterado (p=0,001) e contagem ≤349 células T/CD4mm3 (p=0,05). No entanto, a multiparidade constitui-se como fator de proteção para a infecção (p=0,01). Na análise multivariada, demonstrou-se que idade ≤20 anos (RP=2,8; IC95% 1,0–7,7, p=0,04) e diagnóstico de citopatológico alterado (RP=11,1; IC95% 3,0–4,1, p=0,001) persistiram associadas significativamente à infecção. Os genótipos identificados foram: oito HPV16 e 58; seis HPV6; quatro HPV18 e 33; três HPV53 e 82; dois HPV83 e 61; um HPV31, 35, 45, 64, 68, 71 e 85. A amplificação e sequenciamento de HPV em 445 biópsias e células cervicais foram realizados a partir da PCR e sequenciamento direto utilizando os iniciadores MY09/11 e GP5/6. Foi detectado 24% (86/355) de prevalência do vírus nas amostras de células cervicais e 91.1% (82/90) nas amostras de biópsias cervicais. Os tipos mais prevalentes detectados em todas as mulheres incluídas neste estudo foram o 16 (84%) e 58 (27%). Para a identificação das variantes do HPV16, as amostras foram submetidas à amplificação por PCR e sequenciamento com primers tipo específico das regiões LCR e E6 e identificação de polimorfismos único (SNPs) para cada variante. Das 52 amostras HPV16 analisadas para SNPs, 46 foram classificadas como pertencentes à linhagem A (88.4%) cinco a linhagem D (9,6%) e uma a linhagem B (1.9%). No estudo de NGS foram utilizadas amostras de células cervicais de mulheres infectadas pelo HPV previamente genotipadas por Oliveira et al. (2013) para identificação de variantes intratipo pela análise filogenética e distancia genética. Quinze amostras de células cervicais infectadas pelo HPV foram sequenciadas por NGS sendo detectado em 62% (10/15) das amostras infecções múltiplas e realizada a análises filogenéticas e distância genética para 18 genomas completos. Estes resultados demonstram uma alta diversidade de HPV tipos oncogênicos e a distribuição das linhagens de HPV de alto e baixo risco no Sul do Brasil, uma maior frequência das linhagens de HPV16 mais prevalentes na Europa e Norte-americana, de acordo com o background genético da população do Sul do Brasil. Além da associação de fatores sociodemográficos e ginecológicos com a infecção viral.
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