Tese - Mariza Zanchi

MATERNIDADE NA ADOLESCÊNCIA E JUVENTUDE NO EXTREMO SUL DO BRASIL

Autor: Mariza Zanchi (Currículo Lattes)

Resumo

A gravidez na adolescência tem sido evento presente em todas as épocas e  culturas ao longo da história da humanidade. Contudo, com as mudanças socioculturais  do século XX, as mulheres ampliaram sua realização pessoal e profissional. Nesse  contexto, a gestação precoce pode ocasionar a interrupção de aspectos relevantes em  suas vidas. A maternidade é um desafio no desenvolvimento das adolescentes  proporcionando tanto oportunidade para crescimento nas áreas de responsabilidades,  quanto restrições socioeconômicas (MARANHÃO;GOMES; OLIVEIRA, 2012; KIRISITS;  KIRCHENGAST, 2013). 

Essa pesquisa objetivou estudar a maternidade na adolescência e na juventude,  no município do Rio Grande. Em um primeiro momento, foi realizada uma abordagem  qualitativa para identificar as transformações oriundas da maternidade na adolescência  na perspectiva de jovens mulheres. A etapa quantitativa apresentou: um componente  transversal aninhado a uma coorte, para mensurar a qualidade de vida após a  maternidade na adolescência, e, um componente longitudinal prospectivo, para estimar  a taxa de recorrência da gestação e os fatores associados. 

Os resultados e a discussão desse estudo estão apresentados na forma de  manuscritos. No estudo ―Maternidade na adolescência: ressignificando a vida?‖ de  abordagem qualitativa descritiva com 34 jovens que tinham tido parto quatro anos atrás,  por meio de entrevista semiestruturada com questões sobre a vida antes e após a  maternidade, por intermédio da Análise de Conteúdo, emergiram três categorias, vida  de adolescente, liberdade de ser e mudanças no viver. A vida das adolescentes antes  da gravidez mostra-se heterogênea nos aspectos sociais, laborais e estudantis. Após a  maternidade, reconfiguram-se a liberdade de ser e as mudanças no viver, trazendo  perdas relacionadas ao abandono dos estudos, a privação da vida social e ao estigma  da maternidade precoce. No entanto existem ganhos oriundos da ressignificação do  modo de viver, que configuram o abandono de condutas ilegais e criminosas, a  aquisição de autoconfiança e a redução da exposição à violência intrafamiliar.  Concluindo-se que a maternidade acarreta sentimento de plenitude e nova identidade  social. 

Para avaliar-se a qualidade de vida realizamos um estudo epidemiológico em  que participaram 112 mulheres que tiveram filho na adolescência, em 2010. A coleta  dos dados foi feita de julho a dezembro de 2014 nos domicílios e com a utilização de  dois instrumentos: um questionário sociodemográfico e a escala genérica do Índice de  Qualidade de Vida - IQV. Os resultados demonstraram o IQV geral 24,83. O domínio  socioeconômico teve o menor escore atribuído (21,89) e o domínio família obteve o  maior escore de satisfação com a vida (27,67). As variáveis estatisticamente  significativas foram: a idade, a escolaridade, a renda per capta e a situação conjugal,  impactando na qualidade de vida das mães. Conclui-se que elas percebem sua vida  positivamente, por meio da maior importância e satisfação com a sua família. 

Ao estudar-se a recorrência da gestação e os fatores associados em jovens, a população da pesquisa foi constituída de 112 mulheres que tiveram filho no ano de  2010, quando adolescentes. A amostra foi estudada em dois estágios, sendo, no  primeiro, por meio de um censo e, no segundo, as jovens localizadas, residentes na  área urbana do município do Rio Grande e que aceitaram participar do segmento, tendo como critérios de exclusão: óbito da criança; filhos sob responsabilidade de outros. A  taxa de recorrência de gravidez encontrada foi de 53,6% com tempo médio 28,8 meses.  Após a análise, observou-se que para cada ano a mais de estudo, existe uma proteção  de 16% para não ter uma nova gestação na adolescência. Além disso, as mulheres  classificadas com o 2º e 3º quartil de renda tiveram um risco duas vezes maior de  recorrer na gestação quando comparadas as mulheres do maior quartil de renda.  Concluindo-se que a recorrência de gravidez na adolescência representou a pouca  valorização da educação formal, este fato pode mitigar a vivência de oportunidades e  dificultar a inserção no mercado de trabalho, criando um ciclo de desigualdade social.

TEXTO COMPLETO DA TESE