Tese - Maria Fernanda Martinez Barral

Diversidade genética do HIV-1 e perfis de resistência nos domínios N- terminais e C-terminais da transcriptase reversa viral: análises experimentais e in silico

Autor: Maria Fernanda Martinez Barral (Currículo Lattes)

Resumo

Com o advento da terapia antirretroviral (TARV), o status clínico de milhares de pessoas vivendo com HIV/Aids (PVHA) melhorou consideravelmente. Entretanto, um dos maiores desafios para a TARV é o acúmulo de mutações virais que eventualmente superam a eficácia do tratamento, levando à falha terapêutica e à progressão à Aids. A TARV padronizada mundialmente combina dois inibidores nucleosídicos/nucleotídicos da transcritase reversa (INTR/INtTR) e um inibidor não-nucleosídico da transcritase reversa (INNTR), que pode ser substituído por um inibidor de protease (IP) ou inibidor de integrase (II).Drogas atuais utilizadas no TARV foram sintetizadas e testadas tendo como base o subtipo B do HIV-1 (mais prevalente nos países desenvolvidos), mesmo o subtipo C sendo o mais prevalente mundialmente. O subtipo C também apresenta uma alta prevalência no sul do Brasil. Objetivos: Pesquisar o papel das diferentes mutações de resistência na TR do HIV-1 aos INTR e INNTR nos distintos subtipos virais do HIV-1. Pacientes e Métodos: Mais de 96 mil sequências provenientes do Banco de Dados de Resistência à Drogas em HIV de Stanford (http://hivdb.stanford.edu) de pacientes tratados com um INNTR de primeira linha (efavirenz ou nevirapina), dos subtipos A, B, C, D, F, G e CRF01_AE, CRF02_AG do grupo M do HIV-1 foram utilizadas para análise de mutações de resistência a esses INNTRs e a susceptibilidade a etravirina (ETR) e rilpivirina (RPV). Para análise de mutações de resistência na porção C-terminal da TR do HIV-1 em pacientes, foram utilizadas amostras de 105 pacientes em falha virológica, das cidades de Rio Grande, Porto Alegre e Curitiba, e 105 pacientes virgens de tratamento de Porto Alegre e de Curitiba. Setenta e sete amostras de pacientes tratados sob controle virológico de Porto Alegre foram analisadas para comparação. Sequências do subtipo C foram comparadas com sequências globais e do Brasil de indivíduos virgens de tratamento. Foram sequenciadas as regiões genômicas virais referentes ao subdomínio da conexão (CN) e ao domínio da RNase H. Para testar fenotipicamente as mutações de resistência no subdomínio da CN da TR associadas a mutações do domínio POL frente às diferentes drogas, foram realizadas reações de mutagêneses sítio-dirigidas em clones de subtipo B. Resultados: No estudo in sílico foi observado que a NVP seleciona a mutação Y181C, enquanto que EFV seleciona K103N. Verificou-se uma maior susceptibilidade a ETR e RPV no tratamento com EFV. A mutação 138K foi encontrada em maiores frequências nos subtipos A e C, podendo comprometer a eficácia do tratamento com RPV. Mutações subtipo-C específicas foram caracterizadas pela primeira vez em HIV-1 de subtipo não-B foram encontradas na porção C-terminal da TR: M357R no subdomínio CN e E529D no domínio RNase H. Os mutantes obtidos até o momento para análise fenotípica foram: wt, wt +348I, wt + 369V, wt + 371V, M41L + wt,M41L+348I, M41L+369V eM41L+371V. Conclusões: Importantes informações foram demonstradas neste trabalho, principalmente, devido ao fato de existirem poucos estudos sobre subtipos não-B.

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