Publicações de 2026 (Mestrado)
-
Dissertação - Mauricio Tedesco
Medida da dor em pós-operatório de cirurgia de mama com bloqueio neuromuscularAutor: Mauricio Tedesco (Currículo Lattes)
Orientadora: Profa. Dra. Carla Vitola Gonçalves
ResumoAs cirurgias de mama, independente da doença ou da extensão, estão relacionadas a dor e restrição à mobilidade de membros superiores. Esses fatores comprometem a alta hospitalar precoce e segura. O bloqueio paravertebral torácico é a técnica mais utilizada para fornecer analgesia pós-operatória, porém apresenta alta taxa de falha devido à região ser muito vascularizada, inervada e proximidade do pulmão. Já o bloqueio do plano anterior do serrátil é bastante seguro e de fácil execução e reduz a dor no pós-operatório. Dessa forma, esta pesquisa avalia o nível de dor de pacientes submetidas a cirurgia de mama que realizaram bloqueio do plano serrátil anterior e bloqueio paravertebral torácico. Trata-se de um estudo transversal prospectivo, que incluiu 35 pacientes submetidas a cirurgia de mama no Hospital da Universidade Federal do Rio Grande (HU/FURG) durante o ano 2025. O bloqueio foi realizado 30 minutos antes da cirurgia por um anestesiologista, usando a ultrassonografia como guia. A dor foi medida na sala de recuperação e 24h após a alta para a enfermariausando a escala Numeric Rating Scale - NRS de 0-10, e as náuseas e vômitos no pós-operatório (NVPO) foram avaliadas pela escala de 4 pontos. Os dados foram armazenados em uma planilha do Excel e analisados no programa SPSS 20. O nível da dor foi pontuado de forma contínua e a comparação das duas técnicas foi avaliada pelas médias usando ANOVA. Para avaliar a NVPO realizou-se uma análise bivariada utilizando o teste do qui-quadrado. A média de dor no pós-operatório imediato foi de 2,69 (±2,3) e, após 24 horas, de 1,03 (±1,8). Não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos, nem no pós-operatório imediato (2,39 BPAS vs. 3,25 BPVT; p=0,301) nem após 24 horas (1,30 BPAS vs. 0,50 BPVT; p=0,220). Pacientes submetidas a BPVT tiveram uma prevalência significativamente maior de NVPO no pós-operatório imediato, sendo 83,3% vs. 39,1% no BPAS (p=0,013) e 24 horas após a cirurgia com 25% vs. 0% no BPAS (p=0,012). Ressaltamos que ambas as técnicas, demonstraram ser efetivas para o controle da dor pós-operatória em cirurgias de mama. No entanto, o BPVT foi associado a uma prevalência maior de náuseas e vômitos que o BPAS.
-
DIssertação - Fabine Santos Karam
Estudo da continuidade do dispositivo intrauterino pós-placentário em puérperas no extremo sul do BrasilAutor: Fabine Santos Karam (Currículo Lattes)
Orientadora: Profa. Dra. Carla Vitola Goncalves
ResumoA inserção do dispositivo intrauterino (DIU) no período pós-parto imediato permite que a mulher, ainda em ambiente hospitalar, tenha acesso a um contraceptivo de longa duração, reversível e seguro. Sendo assim, este estudo teve como objetivo avaliar as taxas de continuidade, expulsão, retirada, reinserção e mal posicionamento do DIU pós-placentário (DIU-PP) no exame de ultrassonografia. Trata-se de um estudo transversal censitário, seguido de um acompanhamento prospectivo longitudinal, que incluiu todas as mulheres que colocaram DIU-PP. A primeira fase ocorreu na maternidade, no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2024, e incluiu todas as puérperas com feto maior que 500 g ou 22 semanas de gestação. Na segunda fase, foram incluídas todas as gestantes que inseriram o DIU-PP durante a primeira fase do estudo. A identificação das mulheres que receberam o dispositivo pós-placentário foi realizada por meio da revisão de prontuários médicos físicos e eletrônicos. Nas duas fases foi utilizado um questionário pré-codificado com informações sociodemográficas e obstétricas, bem como dados referentes ao retorno para revisão, continuidade ou expulsão do DIU, retirada, reinserção e as queixas mais frequentes relatadas pelas pacientes na consulta de seguimento. Também foi avaliada a presença do fio do DIU ao exame especular e seu posicionamento em ultrassonografia transvaginal. Os dados foram categorizados, seguido do cálculo das frequências e da análise de associação entre expulsão e mal posicionamento do DIU-PP em relação a via de parto. Das 244 mulheres que inseriram o dispositivo intrauterino no pós-parto imediato, 157 (64,3%) retornaram para revisão. Entre estas, 10 (6,4%) apresentaram expulsão do dispositivo e 40 (25,5%) realizaram retirada, sendo 38 motivadas por mal posicionamento identificado à ultrassonografia e 2 a pedido da paciente. Entre os casos de expulsão do DIU ou retirada por mal posicionamento, mais da metade (27/48; 56,3%) optou pela reinserção do método. A ultrassonografia foi realizada em 91,1% das mulheres, com posicionamento adequado do dispositivo em 73,4% dos exames. A retirada e o mal posicionamento foram significativamente mais frequentes após o parto vaginal. Ao final do acompanhamento, a taxa de continuidade do método foi de 85,4%, considerando-se as recolocações realizadas durante a consulta de revisão. Apesar das elevadas taxas de continuidade e posicionamento correto do DIU-PP, é preciso ampliar a adesão das puérperas às consultas de retorno, ressaltando que, embora o método seja seguro e eficaz, necessita ser revisado com periodicidade.
-
Dissertação - Eduarda Bastos Cabral
EFEITOS DE DIFERENTES PROGRAMAS DE EXERCÍCIOS FÍSICOS SOBRE A FATIGABILIDADE DE PESSOAS COM COVID LONGA: UM ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADOAutor: Eduarda Bastos Cabral (Currículo Lattes)
Orientador: Prof. Dr. Rodrigo Rodrigues
ResumoA fadiga é um sintoma muito comum em pessoas doentes. É uma manifestação que ocorre subjetivamente, como um sintoma, e de forma objetiva, como queda do desempenho físico. Na literatura, embora se discuta acerca do tema, parece que ela ainda não foi compreendida por completo. Além disso, uma herança da pandemia da COVID-19 é a síndrome pós covid ou covid longa. Essa condição, que é caracterizada por um conjunto de sintomas a longo prazo e que afeta vários sistemas do organismo, apresenta a fadiga como o sintoma mais prevalente. Embora já existam algumas pistas sobre o manejo dessa condição, a reabilitação desses pacientes ainda permanece incerta e entre as alternativas está a terapia baseada em exercícios. Alguns ensaios clínicos randomizados com essa população já foram realizados utilizando essa estratégia, mas nem todos investigam a fadiga como desfecho principal. Somado a isto, compreender o que explica a melhora da fatigabilidade em doenças crônicas por meio do exercício físico também permanece incerto. Sendo assim, o objetivo primário deste trabalho foi verificar os efeitos de dois programas de exercícios na fatigabilidade percebida e de performance a partir de um ensaio clínico randomizado. Em adição, se buscou compreender através da otimização de quais parâmetros a fatigabilidade é melhorada nesses pacientes decorrentes do exercício. Para isso, em um primeiro momento foi realizado uma mini revisão, focando em programas de treinamento combinado sobre a fatigabilidade de pessoas com covid longa. Ao total, foram encontrados 8 estudos que observaram melhora da fadiga desses pacientes, assim como da força máxima de membros superiores, escores mental e físico no questionário SF-12, capacidade física e VO2 máx. O segundo estudo foi um ensaio clínico randomizado com duração de 6 semanas de treinamento com 2 sessões semanais em um ambulatório hospitalar, composto por terapias baseadas em exercícios. Desse modo, vinte pacientes com covid longa foram randomizados (TC = 10; AA = 10) para realizar 12 sessões de exercícios. O grupo TC realizou um treinamento combinado (força + aeróbico), enquanto o grupo AA realizou um treinamento com exercício aeróbico seguido de alongamentos. A fadiga percebida foi avaliada pela Escala de Severidade de Fadiga (ESF) e a fatigabilidade de performance foi avaliada por um teste de exaustão do quadríceps a partir de uma contração isométrica voluntária máxima (CIVM). Ainda, foram avaliadas a qualidade do sono, depressão e ansiedade, força máxima, número de repetições no teste de Sentar e Levantar de 1 minuto e variabilidade da frequência cardíaca (VFC). Todos os testes foram realizados antes e após as intervenções. O treinamento reduziu a fatigabilidade percebida e melhorou o desempenho funcional e a qualidade do sono, independentemente do grupo. No entanto, nenhum desfecho foi capaz de explicar a melhora na fatigabilidade percebida com o treinamento.
-
Dissertação - Denis de Ávila Pereira
USO PROBLEMÁTICO DE SMARTPHONE E SINTOMAS OSTEOMUSCULARES CRÔNICOS EM ADOLESCENTES EM FASE ESCOLAR NO MUNÍCIPIO DO RIO GRANDE, RS.Autor: Denis de Ávila Pereira (Currículo Lattes)
Orientador: Prof. Dr. Rodrigo Dalke Meucci
ResumoTrata-se de um estudo transversal quantitativo, com o objetivo de verificar a associação do uso problemático de smartphone com sintomas osteomusculares crônicos em adolescentes a partir dos 11 anos, devidamente matriculados na rede estadual de ensino do munícipio de Rio Grande, RS. Foram incluídos na pesquisa adolescentes com idades a partir dos 11 anos, residentes no município e que estivessem cursando o ensino regular da rede pública de escolas estaduais em nível fundamental e médio. O estudo teve como linha de base a coleta de dados do projeto Smarteens. O projeto se deu por intermédio de um questionário autoaplicado, disponibilizado através de tablets entregues aos estudantes com questões socioeconômicas, estilo e qualidade de vida e o uso problemático de smartphone. A questão sobre dor osteomuscular foi mensurada através de um questionário, onde o aluno observava uma imagem onde eram ilustradas as regiões corporais anatômicas e selecionava aquelas que sentiu dor nos últimos 12 meses. O adolescente que respondeu "sim" para dor em uma ou mais regiões anatômicas, indicava a intensidade do sintoma numa escala de 0 a 10, sendo 0 sem dor e 10 a pior dor que já sentiu na vida. As análises serão feitas através do software Stata 14®, e para a associação entre dor osteomuscular e uso problemático de smartphone utilizaremos a regressão de Poisson com ajuste robusto da variância.
-
Dissertação - Lourdes Helena Rodrigues Martins
Desenvolvimento de vacina para a toxocaríase a partir de proteína recombinante de Toxocara canis e suplementação com sobrenadante probiótico em modelo murino de toxocaríase.Autor: Lourdes Helena Rodrigues Martins (Currículo Lattes)
Orientadora: Profa. Dra. Luciana Farias da Costa de Avila
ResumoIntrodução: A toxocaríase humana é uma parasitose tecidual crônica e uma zoonose de ampla distribuição mundial, representando relevante problema de saúde pública devido à elevada soroprevalência global e à eficácia limitada dos anti-helmínticos disponíveis. Os antígenos de excreção/secreção (TES) de T. canis têm se destacado como moduladores da resposta imune, e a proteína recombinante rTES30, produzida a partir do TES nativo, demonstra reatividade com anticorpos de hospedeiros infectados, apresentando resultados promissores no imunodiagnóstico da toxocaríase. A partir desse conhecimento, este estudo avaliou a capacidade imunogênica da proteína recombinante rTES30 como vacina, na proteção contra a infecção por T. canis em modelo murino. Materiais e Métodos: A rTES30 foi administrada por via subcutânea em três doses de 50 µg (nos dias zero, 14 e 28). Camundongos Swiss foram divididos em quatro grupos: G1- vacinados e infectados; G2- suplementados com o sobrenadante livre de células de Lactobacillus rhamnosus ATCC 7469, vacinados e infectados; G3- apenas infectados; G4- controle negativo. Exceto G4, todos foram inoculados com 100 ovos de T. canis no dia 38, por via intragástrica. Amostras de sangue foram coletadas nos dias 14, 28, e 40 pós-vacinação, com eutanásia no dia 40, seguida de digestão tecidual para quantificação de larvas. Avaliou-se a cinética de produção de anticorpos IgG por ELISA. Resultados: A imunização com rTES30 não promoveu proteção contra T. canis, sem redução de larvas teciduais. Anticorpos IgG específicos foram detectados após vacinação, entretanto, não se traduziram em proteção efetiva. O uso de SLC L. rhamnosus 7469 previamente à vacinação não reduziu a carga parasitária, apesar de modular a resposta imune. Conclusão: A sequência antigênica utilizada para a produção da rTES30 neste estudo não impediu a invasão ou migração larval. Futuras abordagens devem considerar adjuvantes robustos, combinações antigênicas ou estratégias heterólogas para potencializar a imunidade protetora.
-
Dissertação - Sandy Gonçalves Garcia
EXPOSIÇÃO A SMARTPHONES E TABLETS NA PRIMEIRA INFÂNCIA E SUA ASSOCIAÇÃO COM O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO NO SUL DO BRASIL: DADOS TRANSVERSAIS DO PROJETO SMARTKIDS.Autor: Sandy Gonçalves Garcia (Currículo Lattes)
Orientador: Prof. Dr. Michael Pereira da Silva
ResumoA exposição na primeira infância a smartphones e tablets pode gerar prejuízos significativos ao desenvolvimento cognitivo infantil. Nesta etapa, a cognição humana está em processo de aptidão de habilidades para todo ciclo vital, como atenção, controle inibitório e memória. O objetivo deste estudo é verificar a associação da exposição a smartphones e tablets no desenvolvimento cognitivo em crianças de 24 meses de idade residentes no extremo sul do Brasil. Este é um estudo transversal e descritivo, decorrente de um estudo de coorte do projeto Smartkids, no qual foram coletados dados sobre crianças nascidas na cidade de Rio Grande/RS. Foi aplicado um questionário através de entrevistas com cuidadores, domiciliares ou telefônicas, coletando informações sobre fatores sociodemográficos e comportamentais maternos e da criança, como desenvolvimento infantil através do Inventário Dimensional de Avaliação do Desenvolvimento Infantil (IDADI-Breve) e a exposição a smartphones e tablets. Os resultados indicaram que a amostra trata-se de meninos, de cor de pele branca, com acesso a smartphones e tablets por pelo menos 2 horas diárias. Não foi observada associação significativa entre exposição a smartphones e tablets e piora no desempenho cognitivo. Em relação ao gênero, os meninos apresentaram pior desempenho cognitivo que as meninas (p = 0,013). A interação de qualidade entre adultos e crianças se mostrou um dos principais fatores de proteção ao desempenho cognitivo (p < 0,001) e fatores como a alimentação saudável (p = 0,010) e o uso de videogames (p = 0,04) demonstraram melhora no desempenho cognitivo da amostra. Assim, o tempo de uso de telas na primeira infância pode não ser uma medida eficaz para compreender a complexidade da relação, exigindo maior compreensão sobre a utilização, o contexto e os fatores individuais relacionados.