A influência do uso de métodos não farmacológicos para o alívio da dorno trabalho de parto e na via de nascimento
Autor: Sibele Schaun Louzada (Currículo Lattes)
Orientador: Profa. Dra. Carla Vitola Goncalves
Resumo
Introdução: A qualidade da assistência ao parto e nascimento tem sido amplamente discutida como um dos pilares fundamentais para a promoção da saúde materno-infantil. Em 1996, a Organização Mundial da Saúde publicou recomendações sobre as boas práticas na assistência ao parto normal. No Brasil essas recomendações foram publicadas em 2000 sob o título "Assistência ao parto normal - um guia prático". Nesse documento, é dado destaque para as boas práticas de assistência baseadas em evidencias científicas, que contribuem para desfechos obstétricos e neonatais positivos e satisfatórios. Contudo persistem desafios na implementação efetiva dessas boas práticas nas instituições de saúde, sobretudo no que se refere à equidade no acesso e à qualidade do cuidado prestado. Objetivo: Avaliar a prevalência de oferta e aceitação das boas práticas obstétricas, em um censo de parturientes, em um município de médio porte no extremo Sul do Brasil. Metodologia: Estudo transversal com dados da sexta edição do Estudo Perinatal, que coletou informações de todos os nascimentos com peso igual ou superior a 500 gramas e/ou pelo menos 20 semanas de gestação, ocorridos nos três hospitais do município do Rio Grande. Foram elegíveis para o estudo todas as mulheres participantes da pesquisa, que entraram em trabalho de parto e que tiveram parto nos meses de janeiro a dezembro de 2024. As entrevistas realizaram-se em até 48 horas após o parto, utilizando-se tablets, com questionário único e padronizado. Para a análise dos dados foi realizado o cálculo das prevalências, seguido de análise bivariada e da análise ajustada por regressão de Poisson. Para a associação do uso das medidas não farmacológicas com o parto vaginal foi realizada a regressão para a idade, paridade e tempo de trabalho de parto em horas. Resultados: No período da pesquisa ocorreram 1852 nascimento, sendo entrevistadas no Perinatal 1591 puérperas. As perdas do estudo foram de 261 (14,1%) mulheres e somente 3 recusas. Das mulheres entrevistadas, apenas 970 (61%) entraram em trabalho de parto, dessas 964 foram consideradas elegíveis para o estudo, uma vez que quatro tiveram parto domiciliar e duas, parto na ambulância a caminho do hospital. Os métodos não farmacológicos (MNFs) foram ofertados a 74,3% das gestantes, e seu uso relatado por 67,4% delas, sendo que 53,6% utilizaram dois ou mais métodos. Parturientes que utilizaram banho de chuveiro, bola suíça, massagem e deambulação tiveram um aumento da prevalência de parto vaginal de 23%, 16%, 13% e 14%, respectivamente (p<0,001). O uso de dois ou mais MNFs elevou em até 22% a prevalência de parto vaginal (p<0,001). Conclusões: Os resultados evidenciam ampla oferta e utilização de MNFs durante o trabalho de parto. Também se observou maior prevalência de parto vaginal, nas usuárias de MNF, reforçando sua relevância como estratégias efetivas de boas práticas no parto.