DETERMINANTES DA FATIGABILIDADE DE PERFORMANCE EM PACIENTES COM COVID LONGA E DIFERENTES NÍVEIS DE FADIGA PERCEBIDA.
Autor: Nayla Raabe Cenção de Moura (Currículo Lattes)
Orientador: Prof. Dr. Rodrigo Rodrigues
Resumo
Entre as diversas definições existentes, a fadiga pode ser caracterizada por um declínio progressivo na capacidade de ativar o músculo voluntariamente durante uma tarefa, ou até um descompasso entre o esforço despendido e o desempenho real, que costuma ser derivada da fatigabilidade percebida e fatigabilidade de performance. Embora seja o sintoma mais prevalente em pessoas com Covid Longa, a fatigabilidade de performance nestes pacientes é pouco compreendida. Este estudo teve como objetivo comparar a fatigabilidade de performance, os parâmetros de saúde mental, qualidade do sono, as respostas neuromusculares e de variabilidade de frequência cardíaca entre pacientes com Covid Longa com diferentes níveis de fadiga percebida. A amostra foi composta por 38 pacientes, em que a fadiga percebida foi avaliada pela Escala de Severidade de Fadiga (ESF). Pontuações superiores a 36 indicavam os pacientes como fadigados (FAD), enquanto inferiores como não-fadigados (NFAD). A saúde mental foi avaliada por Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS), o sono pelo mini questionário do sono, e de variabilidade de frequência cardíaca (VFC). Ainda, foram realizadas medidas de força máxima e variabilidade de frequência cardíaca em repouso. A fatigabilidade de performance foi mensurada por meio de uma contração isométrica voluntária máxima (CIVM) sustentada do quadríceps até a exaustão com medidas de eletromiografia de superfície (EMG) do músculo vasto lateral. O grupo FAD foi constituído por 25 pacientes e o grupo NFAD por 13 pacientes. Observamos diferença significativa entre os grupos na fatigabilidade de performance, em que o grupo FAD suportou em média 10 segundos a menos comparado ao grupo NFAD (p = 0,004). Não observamos diferença entre os grupos em relação aos parâmetros de saúde mental, qualidade do sono, força e variabilidade da FC. Durante o teste de fatigabilidade de performance, o grupo FAD apresentou menor queda dos sinais de alta frequência comparado ao grupo NFAD (p = 0,010). Não houve correlação significativa entre a fatigabilidade de performance e os desfechos avaliados em cada grupo separadamente e nos grupos combinados. A fatigabilidade de performance na covid longa foi maior em pessoas com maiores níveis de fadiga percebida, e que apresentaram diferença no ajuste neuromuscular durante a tarefa. No entanto, não se associou a parâmetros de saúde mental, qualidade do sono, do desempenho funcional ou da modulação autonômica basal..