EFEITOS DE DIFERENTES PROGRAMAS DE EXERCÍCIOS FÍSICOS SOBRE A FATIGABILIDADE DE PESSOAS COM COVID LONGA: UM ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO
Autor: Eduarda Bastos Cabral (Currículo Lattes)
Orientador: Prof. Dr. Rodrigo Rodrigues
Resumo
A fadiga é um sintoma muito comum em pessoas doentes. É uma manifestação que ocorre subjetivamente, como um sintoma, e de forma objetiva, como queda do desempenho físico. Na literatura, embora se discuta acerca do tema, parece que ela ainda não foi compreendida por completo. Além disso, uma herança da pandemia da COVID-19 é a síndrome pós covid ou covid longa. Essa condição, que é caracterizada por um conjunto de sintomas a longo prazo e que afeta vários sistemas do organismo, apresenta a fadiga como o sintoma mais prevalente. Embora já existam algumas pistas sobre o manejo dessa condição, a reabilitação desses pacientes ainda permanece incerta e entre as alternativas está a terapia baseada em exercícios. Alguns ensaios clínicos randomizados com essa população já foram realizados utilizando essa estratégia, mas nem todos investigam a fadiga como desfecho principal. Somado a isto, compreender o que explica a melhora da fatigabilidade em doenças crônicas por meio do exercício físico também permanece incerto. Sendo assim, o objetivo primário deste trabalho foi verificar os efeitos de dois programas de exercícios na fatigabilidade percebida e de performance a partir de um ensaio clínico randomizado. Em adição, se buscou compreender através da otimização de quais parâmetros a fatigabilidade é melhorada nesses pacientes decorrentes do exercício. Para isso, em um primeiro momento foi realizado uma mini revisão, focando em programas de treinamento combinado sobre a fatigabilidade de pessoas com covid longa. Ao total, foram encontrados 8 estudos que observaram melhora da fadiga desses pacientes, assim como da força máxima de membros superiores, escores mental e físico no questionário SF-12, capacidade física e VO2 máx. O segundo estudo foi um ensaio clínico randomizado com duração de 6 semanas de treinamento com 2 sessões semanais em um ambulatório hospitalar, composto por terapias baseadas em exercícios. Desse modo, vinte pacientes com covid longa foram randomizados (TC = 10; AA = 10) para realizar 12 sessões de exercícios. O grupo TC realizou um treinamento combinado (força + aeróbico), enquanto o grupo AA realizou um treinamento com exercício aeróbico seguido de alongamentos. A fadiga percebida foi avaliada pela Escala de Severidade de Fadiga (ESF) e a fatigabilidade de performance foi avaliada por um teste de exaustão do quadríceps a partir de uma contração isométrica voluntária máxima (CIVM). Ainda, foram avaliadas a qualidade do sono, depressão e ansiedade, força máxima, número de repetições no teste de Sentar e Levantar de 1 minuto e variabilidade da frequência cardíaca (VFC). Todos os testes foram realizados antes e após as intervenções. O treinamento reduziu a fatigabilidade percebida e melhorou o desempenho funcional e a qualidade do sono, independentemente do grupo. No entanto, nenhum desfecho foi capaz de explicar a melhora na fatigabilidade percebida com o treinamento.