Publicações de 2026 (Mestrado)
-
Dissertação - Mariana Saraiva Pereira
Exposição materna à violência por parceiro íntimo e desenvolvimento do filho: Coorte de 2019 da cidade de Rio Grande, Rio Grande do SulAutor: Mariana Saraiva Pereira (Currículo Lattes)
Orientador: Profa. Dra. Romina Buffarini
ResumoA violência por parceiro íntimo (VPI) é um importante problema de saúde pública, com repercussões não apenas para as mulheres, mas também para o desenvolvimento infantil. Desse modo, este estudo teve como objetivo investigar a associação entre a exposição materna à VPI na primeira infância, medida em dois momentos, e o comportamento agressivo dos filhos aos quatro anos de idade. Trata-se de um estudo longitudinal com dados de coletas online da coorte de nascidos vivos de Rio Grande em 2019. A amostra incluiu 1.919 mães elegíveis (com parceiro íntimo), das quais 880 foram acompanhadas na onda 2, 766 na onda 3 e 688 na onda 4. A VPI foi avaliada por três questões adaptadas do questionário da Organização Mundial da Saúde. O comportamento agressivo infantil foi mensurado por quatro questões do questionário ELDEQ. As covariáveis incluíram sexo da criança, paridade, renda familiar, idade e escolaridade materna e sintomas depressivos maternos avaliados pela EPDS. Como resultado, observou-se que A exposição materna à VPI esteve associada a maior prevalência de comportamento agressivo direto aos quatro anos, mesmo após ajuste. A exposição recente e a persistente apresentaram magnitudes semelhantes, enquanto a exposição apenas no período inicial mostrou associação mais fraca, reforçando a importância da prevenção e identificação precoce da VPI para prevenção do comportamento agressivo em crianças durante a primeira infância.
-
Dissertação - Lisarbe Oliveira de Souza
Qualidade da assistência à mulher em um serviço referência no atendimento à gestação de alto risco: discurso dos profissionaisAutor: Lisarbe Oliveira de Souza (Currículo Lattes)
Orientador: Profa. Dra. Carla Vitola Gonçalves
ResumoA excelência na assistência à saúde é tema recorrente nas discussões acadêmicas e institucionais, especialmente no ambiente hospitalar, onde a complexidade do cuidado exige profissionais qualificados e infraestrutura adequada. Nesse contexto, a segurança do paciente consolidou-se como dimensão essencial da qualidade assistencial. Na assistência obstétrica, essa discussão torna-se ainda mais relevante diante da elevada demanda e da atuação integrada de equipes multiprofissionais no cuidado à mulher. Esta dissertação teve como objetivo compreender como os profissionais de saúde percebem a qualidade da assistência prestada à mulher em um serviço terciário de referência para gestação de alto risco. Trata-se de um recorte da pesquisa "Avaliação da assistência ao parto, na percepção das puérperas e dos profissionais", aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 66341922.2.0000.5324). Foi realizado um estudo transversal, de abordagem qualitativa, desenvolvido em um Hospital Universitário do extremo sul do Rio Grande do Sul. Participaram 58 profissionais de saúde da Maternidade e do Centro Obstétrico, com pelo menos seis meses de atuação nas unidades. A coleta de dados ocorreu entre setembro de 2023 e janeiro de 2024, por meio de questionário com questões abertas e fechadas, aplicado em entrevistas individuais gravadas e posteriormente transcritas. Os dados foram analisados pela técnica do Discurso do Sujeito Coletivo. Os participantes, entre enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos obstetras, apresentavam elevada qualificação e diversidade de experiências. As representações sobre a qualidade da assistência foram organizadas em cinco ideias centrais, fundamentadas nas dimensões estrutura, processo e resultados do modelo de Donabedian. A qualidade foi compreendida como um cuidado humanizado, integral, seguro e centrado na mulher, capaz de conciliar a alta complexidade clínica com uma experiência positiva para mãe e recém-nascido. Como facilitadores, destacaram-se a educação permanente, o trabalho em equipe, os protocolos assistenciais, a disponibilidade de recursos e a organização dos processos de trabalho. Entre as principais barreiras, emergiram a insuficiência de pessoal, a precariedade da infraestrutura, a escassez de recursos materiais, a sobrecarga de trabalho, a redução da autonomia da enfermagem e as fragilidades na continuidade do cuidado no puerpério. Também foi evidenciada a necessidade de ampliar espaços de educação permanente, reflexão e avaliação sistemática para fortalecer a cultura de qualidade e segurança. Conclui-se que a qualidade da assistência à mulher em gestação de alto risco depende da articulação entre estrutura, processo e resultados, exigindo investimentos institucionais que promovam um cuidado seguro, humanizado e centrado na mulher.