Exposição materna à violência por parceiro íntimo e desenvolvimento do filho: Coorte de 2019 da cidade de Rio Grande, Rio Grande do Sul
Autor: Mariana Saraiva Pereira (Currículo Lattes)
Orientador: Profa. Dra. Romina Buffarini
Resumo
A violência por parceiro íntimo (VPI) é um importante problema de saúde pública, com repercussões não apenas para as mulheres, mas também para o desenvolvimento infantil. Desse modo, este estudo teve como objetivo investigar a associação entre a exposição materna à VPI na primeira infância, medida em dois momentos, e o comportamento agressivo dos filhos aos quatro anos de idade. Trata-se de um estudo longitudinal com dados de coletas online da coorte de nascidos vivos de Rio Grande em 2019. A amostra incluiu 1.919 mães elegíveis (com parceiro íntimo), das quais 880 foram acompanhadas na onda 2, 766 na onda 3 e 688 na onda 4. A VPI foi avaliada por três questões adaptadas do questionário da Organização Mundial da Saúde. O comportamento agressivo infantil foi mensurado por quatro questões do questionário ELDEQ. As covariáveis incluíram sexo da criança, paridade, renda familiar, idade e escolaridade materna e sintomas depressivos maternos avaliados pela EPDS. Como resultado, observou-se que A exposição materna à VPI esteve associada a maior prevalência de comportamento agressivo direto aos quatro anos, mesmo após ajuste. A exposição recente e a persistente apresentaram magnitudes semelhantes, enquanto a exposição apenas no período inicial mostrou associação mais fraca, reforçando a importância da prevenção e identificação precoce da VPI para prevenção do comportamento agressivo em crianças durante a primeira infância.