Efeito do treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) sobre a saúde mental de escolares do ensino médio de Rio Grande, RS : ensaio randomizado por cluster
Autor: Vithória Silva Oleiro (Currículo Lattes)
Orientador: Prof. Dr. Samuel de Carvalho Dumith
Resumo
A saúde mental dos adolescentes representa um problema de saúde pública global, com taxas significativas de transtornos de ansiedade, depressão e estresse. Paralelamente, a inatividade física entre os jovens também é um desafio, visto que grande parte não atinge as recomendações de 60 minutos diários de atividade física moderada. Nesse contexto, o treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) é reconhecido como uma estratégia que pode melhorar tanto a saúde mental quanto a física nessa população. No entanto, a relação entre o efeito do HIIT e a saúde mental, bem como os fatores mediadores desse efeito, ainda não estão bem estabelecidos na literatura. Este estudo tem como objetivo verificar o efeito de uma intervenção de 12 sessões HIIT sobre a saúde mental (sintomas de depressão, ansiedade e estresse) dos escolares. O delineamento utilizado foi um ensaio randomizado por cluster, no qual foi realizada uma intervenção no período de 6 semanas, com frequência de duas sessões semanais. O estudo incluiu inicialmente 200 estudantes, dos quais 176 compuseram a amostra final, sendo 123 no grupo controle e 53 no grupo intervenção, com idade média de 16,1 anos (DP = 0,4) e 53,4% do sexo feminino. O protocolo consistiu em 12 sessões de HIIT com duração de 10 minutos, baseadas em corridas curtas. Através de monitores de frequência cardíaca, foi possível avaliar a intensidade dos esforços, enquanto os desfechos de saúde mental e os fatores mediadores foram avaliados pré e pós-intervenção por meio de instrumentos validados. As análises foram realizadas por intenção de tratar e por protocolo, utilizando análises descritivas, ANOVA, regressão linear, regressão de Poisson com variância robusta e regressão logística multinomial, com estimativas brutas e ajustadas, intervalos de confiança de 95% e nível de significância de 5%. Os resultados desta tese demonstraram que a intervenção com HIIT reduziu significativamente os sintomas depressivos em adolescentes. O grupo intervenção apresentou uma probabilidade 52% maior de redução dos sintomas (RP ajustada = 1,52; IC95%: 1,05; 2,19; p = 0,025) e 85% maior de melhora na classificação dos sintomas (RP ajustada = 1,85; IC95%: 1,02; 3,34; p = 0,041). Além disso, análises exploratórias sugeriram um efeito dose- 9 resposta, em que maior percepção subjetiva de esforço esteve associada a maiores reduções nos sintomas depressivos. Entretanto, não foram encontradas associações significativas para ansiedade e estresse. Um achado relevante foi a melhora na percepção de sentido da vida. O grupo intervenção reduziu de 23,7% para 7,4% a prevalência de falta de sentido da vida, enquanto o grupo controle aumentou de 11,4% para 13,0%. A análise mostrou que o grupo intervenção teve uma redução média nos escores significativamente maior em comparação ao grupo controle (-0,37 vs 0,02; p = 0,006) e uma probabilidade de 90% maior de melhora (RP ajustada = 1,90; IC95%: 1,03; 3,48; p = 0,038), com trajetórias indicando predominância de melhora no grupo intervenção e tendência de piora no grupo controle. Em conclusão, o HIIT demonstra ser uma estratégia promissora para a promoção da saúde mental em adolescentes, especificamente na redução de sintomas depressivos e na melhora da percepção do sentido da vida. Apesar dos benefícios, a intervenção, conforme implementada, envolveu custos significativos com equipamentos e profissionais qualificados, o que limita sua caracterização como de baixo custo ou fácil implementação. Futuras pesquisas devem explorar adaptações do protocolo para contextos com recursos limitados, investigar outros mecanismos mediadores e avaliar a sustentabilidade dos efeitos a longo prazo.