Avaliação da associação de compostos sintéticos ao albendazol contra Toxocara canis: estudos in vitro, in silico e in vivo
Autor: Victória Pires Panassolo (Currículo Lattes)
Orientador: Profa. Dra. Luciana Farias da Costa de Avila
Resumo
A toxocaríase é uma zoonose parasitária de distribuição mundial causada pelas larvas de Toxocara canis, considerada um importante problema de saúde pública. No ser humano, a infecção ocorre pela ingestão de ovos embrionados presentes no ambiente ou pelo consumo de carne ou vísceras cruas ou malcozidas de hospedeiros paratênicos contendo larvas, resultando em migração larval e manifestações clínicas que variam de assintomáticas a graves, incluindo acometimento hepático, ocular e neurológico. O tratamento baseia-se no uso de benzimidazóis, especialmente o albendazol; entretanto, sua eficácia variável em helmintíases teciduais evidencia a necessidade de novas abordagens terapêuticas. Este estudo avaliou a atividade antiparasitária de compostos sintéticos derivados de hidroxietilamina e de anilina, isoladamente e em associação ao albendazol, contra larvas de Toxocara canis. Foram realizados ensaios in vitro para determinação da atividade larvicida, análises de citotoxicidade e estudos in silico de propriedades farmacocinéticas e toxicológicas, além de um modelo experimental in vivo em camundongos infectados com T. canis para avaliar o efeito de derivados de anilina na carga parasitária tecidual. Os resultados demonstraram atividade larvicida dos compostos contra T. canis, com baixa citotoxicidade e propriedades farmacocinéticas compatíveis com biodisponibilidade oral. A associação com albendazol evidenciou efeitos aditivos e sinérgicos (FICI entre 0,75-0,625 e 0,35-0,325). Em modelo murino, a terapia combinada reduziu a carga larval em 66,9%, superior ao albendazol (52,1%) e ao composto isolado (POHA) (47,2%). Em conjunto, os achados indicam que os compostos sintéticos derivados de hidroxietilamina e anilina representam plataformas promissoras para o desenvolvimento de novos candidatos antiparasitários, reforçando o potencial da associação com albendazol no controle da toxocaríase.