Tese - Rodrigo de Lima Brum

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Efeito do aumento de temperatura sobre poluentes atmosféricos e desfechos de saúde

Autor: Rodrigo de Lima Brum (Currículo Lattes)

Orientador: Prof. Dr. Flavio Manoel Rodrigues da Silva Junior

 

Resumo

A poluição atmosférica constitui o principal risco ambiental à saúde global, sendo responsável por cerca de sete milhões de mortes prematuras anuais, conforme estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). No cenário brasileiro, a compreensão desse fenômeno é limitada pela escassez de monitoramento físico em cidades de pequeno e médio porte, o que gera lacunas críticas na avaliação de impacto à saúde (AIS) em nível regional. Esta tese investiga a interação complexa entre os parâmetros meteorológicos e a dinâmica de poluentes atmosféricos, com foco no papel do aumento da temperatura média como catalisador de desfechos respiratórios e cardiovasculares. O trabalho está estruturado em três manuscritos que abordam impactos sociais da poluição do ar; o monitoramento e previsão de poluentes em pequenas cidades do sul do Brasil; e a proposição de modelos preditivos avançados utilizando dados das capitais estatuais do Brasil. A inovação metodológica reside no uso de algoritmos de Machine Learning, especificamente o Support Vector Machine (SVM) e Random Forest (RF), para o desenvolvimento de cenários de "atmosfera futura". Diferente das abordagens lineares tradicionais, a metodologia empregada utilizou o cruzamento binário de temperatura e variáveis meteorológicas para simular a dispersão de poluentes sob as trajetórias de forçante radiativa (RCPs) e caminhos socioeconômicos compartilhados (SSPs) projetados pelo IPCC. Os resultados demonstram que o aumento da temperatura potencializa a concentração de poluentes locais, exacerbando a vulnerabilidade de grupos sensíveis, como crianças e idosos, além de evidenciar o papel da posição socioeconômica como determinante estrutural na exposição. Conclui-se que o uso de inteligência artificial aplicada ao clima é uma ferramenta estratégica para subsidiar políticas públicas de mitigação e adaptação, permitindo que gestores em regiões com monitoramento precário possam antecipar riscos e implementar ações preventivas de saúde pública alinhadas à Agenda 2030 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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