Tese - Mirelle de Oliveira Saes

SINTOMATOLOGIA DOLOROSA EM ESTRUTURAS MUSCULOESQUELÉTICAS DE ADOLESCENTES: FATORES ASSOCIADOS E INFLUÊNCIA DA SOBRECARGA DE PESO SOBRE A ARTICULAÇÃO DO JOELHO

Autor: Mirelle de Oliveira Saes (Currículo Lattes)

Resumo

A preocupação com a saúde dos adolescentes tem sido um tema com abordagem  crescente no âmbito da saúde pública. As patologias que acometem esta faixa etária,  sobretudo aquelas de ordem musculoesquelética podem repercutir sobre suas atividades  de vida diária e representar riscos para uma vida saudável na vida adulta. Neste estudo  teve-se como objetivo avaliar a sintomatologia dolorosa de estruturas  musculoesqueléticas em adolescentes identificando os fatores associados e a influência  da sobrecarga de peso sobre a articulação do joelho. O estudo foi realizado com  adolescentes entre 10 e 17 anos oriundos de quatro escolas municipais da cidade do Rio  Grande/RS. A pesquisa foi realizada em duas etapas. A primeira etapa tratou-se de um  estudo de delineamento transversal que investigou a prevalência de dor no joelho,  fatores de risco e comprometimento funcional. Nesta etapa foram investigados 619  adolescentes por meio da aplicação de um instrumento constituído de questões sobre  características demográficas, biológicas e do transporte do material escolar, e de  questões específicas do Questionário Nórdico de Sintomas Osteomuscular, do Knee  Injury Osteoarthritis Outcome Score (KOOS), e do International Physical Activity  Questionnaire versão longa – IPAQ. A segunda etapa tratou-se de uma pesquisa do tipo  quase-experimental, e contou com a participação de 58 adolescentes, divididos em dois  grupos: com dor (CD) e sem dor (SD) no joelho. O grupo CD foi selecionado por meio do resultado do instrumento KOOS aplicado na primeira etapa da pesquisa. O grupo SD foi formado através do pareamento por gênero, idade e índice de massa corporal. Nesta  etapa utilizou-se a fotogrametria para estudo do alinhamento do joelho, por meio da  avaliação do ângulo quadricipital na posição estática e a eletromiografia de superfície  para investigar a atividade dos músculos vasto medial e vasto lateral, durante a marcha  em três situações: sem sobrecarga, sobrecarga de 10% e com sobrecarga de 15% do  peso corporal. Na análise dos dados utilizou-se o teste de ANOVA ou Kruskal-Wallis para comparação das médias e o teste de Poisson com variância robusta para as análises  bi e multivariável. Foi encontrada uma prevalência de dor no joelho de 22,6%. Quanto  às características dos adolescentes avaliados na primera etapa, 59% eram do gênero feminino, 61,4% tinham idade entre 12-14 anos, 66,9% eram de cor branca, 63,3% eram  eutróficos, 92,7% praticavam educação física na escola, 33,8% eram ativos no lazer,  17,6% carregavam mochila com peso maior que 10% do seu peso corporal e 96,6%  transportavam a mochila nas costas. Observou-se que o risco para dor no joelho foi  maior com o aumento da faixa etária: 12 a 14 anos (RP=1,67; IC95%:1,07-2,58;  p0,01); 15 a 17 anos (RP= 2,44; IC95%:0,35-0,82; p=0,01), e menor entre os que  praticavam educação física na escola (RP=0,54; CI95%:0,35-0,82; p=0,01). Com  relação a capacidade funcional entre os adolescentes com dor (n=140), esta foi  significativamente menor no gênero feminino (68,7 x 74,3; p=0,02). Além disso, os  adolescentes ativos no lazer apresentaram média menor (55,1 x 60,4; p=0,02) no item  referente à dor incapacitante, quando comparados aos insuficientemente ativos. No que  se refere ao posicionamento anatômico, verificou-se que os adolescentes do grupo CD  apresentam maior ângulo quadricipital, quando submetidos a uma carga de 10%  (p=0,04) e de 15% do peso corporal (p<0,00), quando comparados aos do grupo SD.  Quanto à atividade muscular, verificou-se maior atividade do vasto medial no grupo CD  durante a marcha com sobrecarga de 15% (p=0,048). Na estratificação entre os gêneros  verificou-se que entre as adolescentes os valores de médios de ativação muscular foram mais elevados na situação sem sobrecarga (p=0,049) e com 15% de carga (p=0,02). Os  resultados desta pesquisa mostram a importância da realização de estudos com enfoque  nas alterações musculoesqueléticas em adolescentes. Especificamente em relação a  condição de dor no joelho investigada, destaca-se sua elevada prevalência, suas complicações, e principalmente, a incapacidade funcional gerada. Ressalta-se a  necessidade do investimento em ações que visem a promoção da saúde  musculoesquelética na adolescência garantindo a sua capacidade funcional e qualidade  de vida e prevenindo aocorrência e/ou cronificação de patologias na vida adulta. 

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