Comparação de métodos de diagnóstico de Trichomonas vaginalis, fatores de risco e prevalência em mulheres atendidas no hospital universitário do município do Rio Grande, RS, Brasil
Autor: Fabiane Aguiar dos Anjos Gatti (Currículo Lattes)
Resumo
A tricomoníase é a doença sexualmente transmissível não viral mais prevalente no mundo e é considerada uma parasitose negligenciada. Este estudo teve como objetivo determinar a prevalência de Trichomonas vaginalis em mulheres atendidas em um Hospital Universitário (HU) do sul do Brasil, identificar fatores epidemiológicos associados e comparar métodos de diagnóstico laboratorial. O estudo foi realizado no período de janeiro de 2012 a janeiro de 2015. Inicialmente foi realizada a comparação de métodos laboratoriais a partir de amostras de secreção cervical de 281 mulheres atendidas no HU do município do Rio Grande, Rio Grande do Sul. O exame direto apresentou sensibilidade de 60% em relação as culturas (meio Diamond; meio Kupferberg). Das amostras positivas pela reação em cadeia da polimerase (PCR) com os pares de primers TVK (PCR-TVK3/7) e BTUB9/2 (PCR-BTUB9/2), 88,9% e 62,5% foram confirmadas pelo sequenciamento, respectivamente. A sensibilidade das culturas foi de 25% e 20% em relação a PCR-TVK3/7 e a PCR-BTUB9/2, respectivamente. Assim, nas condições estudadas, a PCR-TVK3/7 foi mais eficiente para o diagnóstico de T. vaginalis e foi empregada na segunda etapa deste estudo. Das 345 mulheres examinadas nesta fase do estudo, foi determinada a prevalência de 4,1% (14/345). Em relação as categorias estudadas, as principais prevalências foram observadas em gestantes (5,9%), em HIV positivas (8,5%), em gestantes HIV positivas (10,1%) e em mulheres com cor de pele branca (6,6%), de renda familiar menor do que um salário mínimo mensal (12,3%) e com pH vaginal elevado (>4,7). A análise multivariada confirmou que os fatores de risco para tricomoníase foi ser gestante HIV positiva e apresentar baixa renda familiar. Estes resultados são importantes visto que a região estudada apresenta maior prevalência para HIV-1 subtipo C que tem um potencial de transmissibilidade maior. Associado a isso, a baixa renda familiar revela fragilidade socioeconômica que pode favorecer a transmissão desta DST.
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