Tese - Maitê Peres de Carvalho

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE SAÚDE DOS TRABALHADORES PORTUÁRIOS: PROPOSTA DE UM PROGRAMA DE PROMOÇÃO DA SAÚDE

Autor: Maitê Peres de Carvalho (Currículo Lattes)

Resumo

Considerando a realidade do município do Rio Grande, o qual tem na atividade portuária a base do desenvolvimento de sua economia, volta-se a atenção para a saúde do trabalhador portuário riograndino, em especial, à avaliação dos sintomas osteomusculares, estresse, atividade física e qualidade de vida. Para tanto, este trabalho objetivou avaliar condições de saúde e qualidade de vida dos trabalhadores portuários avulsos (TPAs) de estiva e capatazia do porto organizado do município do Rio Grande/RS, bem como propor um programa de promoção da saúde voltado às necessidades encontradas nessa população. Trata-se de um estudo que foi realizado em três momentos, contando com a avaliação de diversas variáveis de saúde por meio da aplicação de um questionário estruturado; posteriormente, foi realizada a coleta com acelerômetro que verificou níveis de atividade física durante a execução do trabalho no porto e, na sequência, foi elaborada uma proposta de um programa de promoção à saúde do trabalhador portuário visando enfocar os pontos críticos encontrados nas avaliações prévias. Os dados coletados foram duplamente digitados em uma estrutura programada, por meio do programa EPIDATA versão 3.1 e, posteriormente, analisados no programa STATA 10.0. A amostra total do estudo foi composta por 226 TPAs do sexo masculino, com média de idade de 49,5 anos (dp±9,22). Com relação às variáveis demográficas e socioeconômicas, 74,8% dos TPAs eram de cor branca, 68,6% viviam com companheiro(a), 54,9% relataram possuir de 4 a 8 anos completos de estudo e 48,7% possuíam renda familiar mensal de 4 a 8 salários mínimos. Os trabalhadores portuários se mostraram bastante ativos (86,7%), em contrapartida, 68,2% dos TPAs encontravam-se com sobrepeso e/ou obesidade e 46,5% indicaram um nível de estresse médio no meio laboral. Lesões acidentais no trabalho já acometeram 50,4% dos trabalhadores de estiva e capatazia, embora a mesma porcentagem (50,4%) já trabalhe há mais de 15 anos e 31% trabalhe há mais de 30 anos no porto. A prevalência de boa qualidade de vida no trabalho foi de 54% dentre os trabalhadores. Quanto aos domínios da qualidade de vida no trabalho, não se verifica grande variação entre as porcentagens total e estratificada nas categorias de trabalhadores estudadas, porém, percebe-se que o domínio profissional se diferencia dos demais. No que se refere à dor, 50% dos TPAs referiram algum processo álgico e atribuíram essa dor ao tipo de trabalho realizado no cotidiano laboral, sendo a região lombar a mais prevalente, seguida do quadril/membros inferiores. Para o artigo que buscou avaliar o nível de atividade física no trabalho, utilizou-se uma subamostra da população total, em que 50 TPAs foram selecionados aleatoriamente dentre os 226 entrevistados, sendo a média de idade encontrada de 48,6 anos (dp±8,9). Percebeu-se, por meio do acelerômetro, as altas porcentagens dos estivadores motoristas em atividades leve, moderada e, principalmente, vigorosa (8,7%) comparados às demais funções existentes. Dentre as funções realizadas na capatazia, destacaram-se os amarradores com grande parte do seu tempo de trabalho em atividade vigorosa (2,9%) bem como os motoristas com 30% em atividade moderada e 2,1% em atividade vigorosa. Quanto ao tempo em atividade sedentária, pode-se perceber que as funções de operador de guincho na estiva e de balanceiro na capatazia apresentaram 88,4% e 87,9% do tempo respectivamente. Esses dados demonstram altos índices de atividade física no trabalho em todas as funções de ambas categorias quando comparados com o escore de atividade física total. Percebe-se que, apesar do trabalho portuário ser considerado extenuante de forma geral, a maioria dos TPAs de estiva e capatazia julgam possuir boa qualidade de vida no ambiente laboral. Pautada nas avaliações das fases 1 e 2 do presente estudo, a proposta do programa de promoção da saúde direcionado aos TPAs pretendeu discutir e orientar a respeito de uma metodologia e logística factíveis para que seja possível colocar em prática futuramente tal proposta a fim de que o programa obtenha sucesso e seja mantido em atividade. Porém, cabe ressaltar que resultados eficazes à saúde dos trabalhadores portuários somente serão percebidos após certo tempo de implementação e manutenção do programa proposto, fato que requer comprometimento por parte dos TPAs e dos gestores desse programa como um todo, visto que mudanças de hábitos necessitam conscientização a respeito da importância do que está sendo proposto e muita dedicação para que haja sucesso nessa iniciativa.

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