Tese - Edariane Menestrino Garcia

ABORDAGEM EXPERIMENTAL DA EXPOSIÇÃO MATERNA A UM SOLO CONTAMINADO: EFEITOS SOBRE A PROLE

Autor: Edariane Menestrino Garcia (Currículo Lattes)

Resumo

Os contaminantes ambientais podem ter efeitos prejudiciais sobre a saúde humana, em particular durante o desenvolvimento. O objetivo geral deste trabalho foi investigar os efeitos da exposição de um solo contaminado acidificado, sobre a prole de ratas expostas durante o período gestacional e de aleitamento, sobre parâmetros genéticos, fisiológicos e comportamentais. Avaliou também os efeitos mutagênicos da ação isolada do solo em extrato aquoso sobre diferentes períodos reprodutivos. Em uma primeira abordagem as fêmeas foram expostas a extrato aquoso de dois diferentes solos, contaminado e controle, durante os períodos de pré-prenhez, prenhez e aleitamento, sendo realizado o ensaio de micronúcleo em medula óssea dos filhotes. Todos os grupos apresentaram diferenças quando comparados ao seu respectivo controle (p<0,05). Em uma segunda etapa as ratas foram divididas em 6 grupos: (1) o grupo que recebeu apenas água destilada, representando o controle ; (2) o grupo que recebeu o lixiviado de solo com água destilada; (3) o grupo que recebeu o lixiviado de solo com solvente acidificado ao pH 5,2 ; (4) o grupo que recebeu o lixiviado de solo com solvente acidificado ao pH 3,6; (5) o grupo que recebeu solvente acidificado ao pH 5,2 ; (6) o grupo que recebeu solvente acidificado ao pH 3,6. Nos filhotes nascidos foram avaliados o incremento do peso e o comprimento ao longo do desenvolvimento, o peso dos órgãos, o inicio do desenvolvimento das ninhadas quanto à idade para descolamento das orelhas (bilateral), aparecimento de penugem, aparecimento de pêlos, erupção de incisivos, abertura de ouvidos (bilateral), abertura de olhos (bilateral) e descida de testículos. Nos parâmetros avaliados, peso e comprimento, em geral, os animais dos grupos expostos ao meio mais ácido apresentaram um decréscimo do seu peso e do seu comprimento. Na abertura dos olhos, o grupo controle demorou em média 11,44 dias para abrir os olhos, se diferenciando com maior relevância do grupo exposto ao pH 3,6 + solo, que levou 13,89 dias. O desempenho motor dos filhotes das ratas expostas foi avaliado através do teste da natação, enquanto as medidas comportamentais foram observadas através dos testes do campo aberto, labirinto em cruz elevado e esquiva inibitória. No teste da natação realizado aos 7º e 14º dias de vida dos filhotes, os grupos expostos ao pH 3,6 e ao pH 3,6 + solo, foram os que apresentaram pior desempenho quando comparados ao grupo controle, assim como nos demais testes. Na esquina inibitória o pior resultado se deu no grupo exposto ao pH 3,6 + solo demorando 42,83 segundos para descer da plataforma, enquanto o grupo controle demorou 174,50 segundos. Os biomarcadores genéticos foram avaliados através do teste do micronúcleo e do ensaio cometa. No teste do micronúcleo, quando comparados ao grupo controle, tanto os animas expostos ao solo não acidificado, quanto ao solo acidificado, foram sensíveis a exposição dos contaminantes e não apresentaram diferenças entre si. Os resultados obtidos no ensaio cometa mostraram que os lixiviados com adição ácida de pH 3,6 (solo+pH 3,6) causaram dano significativamente maior no DNA sanguíneo da prole das ratas expostas. Nos parâmetros fisiológicos e comportamentais, em geral, a prole das ratas expostas ao solo lixiviado com ácido de pH 3,6, apresentou um número maior de alterações, demonstrando um maior comprometimento de sua saúde, sendo o peso dos órgãos o único parâmetro avaliado que não apresentou alterações. Estes resultados mostram claramente a influência negativa da exposição parental aos contaminantes apresentados sobre o desenvolvimento geral dos filhotes.

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