Tese - Marilia Garcez Corrêa da Silva

PRODUÇÃO DE BIOMASSA E AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTI-INFLAMATÓRIA E TOXICOLÓGICA DA MICROALGA Pediastrum boryanum

Autor: Marilia Garcez Corrêa da Silva (Currículo Lattes)

Resumo

A inflamação aguda é um mecanismo fisiológico e protetor dos organismos vivos. Os anti-inflamatórios em uso atualmente não são completamente eficazes e são responsáveis por muitas reações adversas. O estudo da biomassa de microalgas tem atraído interesse mundial, devido à possibilidade de extrair compostos de ampla aplicabilidade. As suas potenciais atividades farmacológicas, com base nas propriedades antioxidantes têm sido o foco de diversas pesquisas. Entre o grande número de espécies algais disponíveis, poucas são exploradas por seu potencial para a produção de compostos bioativos, uma das quais é a Pediastrum boryanum. Este estudo teve como objetivo avaliar o crescimento, produção de compostos fenólicos e atividade antioxidante in vitro da microalga P. boryanum em diferentes meios de cultura e também investigar a potencial atividade anti-inflamatória e toxicológica da microalga e de suas frações in vivo. Entre os meios testados, a concentração mais elevada de biomassa (1,91 ± 0,01 g.L-1) e rendimento de compostos fenólicos livres (3,18 ± 0,00 mg.g-1) foram obtidos quando cultivada em meio BG11 modificado (MBG11), BG11 adicionado com 0,4 g.L -1 de NaHCO3 (p <0,05). O cultivo foi realizado em condições controladas de temperatura e luminosidade. Os ensaios antioxidantes ABTS e DPPH demonstraram que os compostos fenólicos livres de P. boryanum cultivada em meio MBG11 não
mostraram diferença significativa quando comparado com o flavonóide quercetina (p> 0,05). Os ácidos fenólicos presentes nos compostos fenólicos livres extraídos foram: gálico, protocatecóico, clorogênico, hidroxibenzóico e vanílico. Estes dados apontam a microalga P. boryanum como uma nova fonte para a produção de compostos fenólicos livres com potencial antioxidante, quando cultivada em MBG11. No estudo in vivo a administração intraperitoneal de P. boryanum e suas frações provocaram inibição significativa (p < 0,05) do edema de pata induzido por carragenina, quando comparado com o grupo controle, sendo que com a administração da biomassa foi observada 96% de inibição do edema. Também foi observada a redução da atividade da enzima mieloperoxidase e da migração de neutrófilos na avaliação histológica. A modulação da inflamação no local do edema foi seguida pela diminuição dos níveis de IL-1β e TNF-α (p <0,05), quando comparados com o grupo controle. Nos ensaios que avaliaram a atividade
antioxidante foi observado que a administração dos tratamentos com a microalga e suas frações não alterou a capacidade antioxidante do fígado, quando comparado com o grupo controle (p> 0,05). No entanto, no ensaio de peroxidação lipídica, o tratamento com a biomassa da microalga P. boryanum mostrou redução na formação de espécies reativas (P < 0,01), da mesma forma que o tratamento com a fração extracelular no ensaio de avaliação da capacidade antioxidante contra radicais peroxil (ACAP). Nas análises de toxicidade não houve alterações das enzimas hepáticas Alanina aminotransferase (ALT) e Aspartato aminotransferase (AST), ou dano ao DNA a partir de qualquer dos tratamentos em comparação com o grupo controle. Este conjunto de evidências indica que a microalga P. boryanum é promissora como agente antioxidante e anti-inflamatório e apresenta baixa toxicidade nos parâmetros testados.

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