AVALIAÇÃO DA PROMOÇÃO DA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NA ATENÇÃO BÁSICA DE PELOTAS (RS)
Autor: Ivane Loraine Lindemann (Currículo Lattes)
Resumo
Objetivos: Estudar a promoção da alimentação saudável entre usuários, médicos e enfermeiros das unidades básicas de saúde de Pelotas (RS).
Métodos: Foi realizado um estudo transversal, de base de serviços de saúde, na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, no período entre maio e outubro de 2013. Fizeram parte do estudo usuários adultos e idosos das unidades básicas de saúde (UBS) da zona urbana, com os quais, por meio de entrevista foram coletados dados demográficos, socioeconômicos, de situação de saúde, de conhecimento sobre saúde
e nutrição, de utilização dos serviços de saúde e de atitudes alimentares, utilizando-se um questionário testado e pré-codificado. Foram incluídos também enfermeiros, médicos clínicos e de família atuantes nas referidas UBS, os quais responderam a um questionário autoaplicado, pré-testado, sobre características demográficas, de formação, atualização e atuação. A análise estatística consistiu de distribuição de frequências das variáveis, prevalência dos desfechos e seus intervalos de confiança de 95% (IC95) e, análises brutas e ajustadas, sendo calculadas as Razões de Prevalência e seus IC95. Nas análises multivariadas, utilizou-se a Regressão de Poisson seguindo modelos hierárquicos pré-estabelecidos.
Resultados: Foram incluídos 1.246 usuários e 127 profissionais. Parte dos resultados do estudo, referentes aos usuários, foram apresentados separadamente em três artigos. O primeiro, intitulado Prevalência de orientação para alimentação saudável e fatores associados entre usuários da atenção básica à saúde no extremo sul do Brasil, com o objetivo de descrever a prevalência de orientação, diferenças entre modelo de atenção à saúde e, fatores associados. A prevalência da orientação foi de 57,9% e, mesmo após ajuste para fatores de confusão, apresentaram maior probabilidade de desfecho as mulheres, os mais velhos, os com cor de pele preta/parda, aqueles com maior renda, com maior número de doenças crônicas diagnosticadas, com excesso de peso e, que avaliaram sua saúde e sua alimentação como não sendo excelentes. Não foram encontradas diferenças quanto ao modelo de atenção à saúde. O segundo, intitulado Dificuldades para alimentação saudável entre usuários da atenção básica em saúde e fatores associados, objetivando determinar a prevalência de percepção de dificuldades, seus fatores associados e seus motivos. A prevalência do desfecho foi de 31,1% e os fatores associados foram sexo feminino, idade adulta, maior renda, maior número de doenças crônicas autorreferidas, insegurança alimentar, não recebimento de orientação alimentar e hábito de não ler rótulos de alimentos. Dentre os que tinham
dificuldades, os motivos mencionados foram custo elevado dos alimentos considerados saudáveis, força de vontade insuficiente, necessidade de abrir mão de alimentos considerados não saudáveis, falta de tempo e conhecimento. E, o terceiro, intitulado Leitura de rótulos alimentares entre usuários da atenção básica e fatores associados. O hábito de ler rótulos foi referido por 70,9% e os fatores associados foram sexo feminino, idade avançada, presença de cônjuge, maior escolaridade, diagnóstico médico de doenças crônicas, autopercepção da saúde e da alimentação, acesso a informações sobre saúde e nutrição, recebimento de orientação para alimentação saudável e prática de atividade física. Dentre os que liam rótulos, as informações mais frequentemente consultadas foram o prazo de validade e o valor nutricional do alimento.
Conclusões: A orientação para alimentação saudável na atenção básica não é universal e há iniquidade, deixando clara a necessidade de maiores esforços no sentido de ampliar a oferta. No que se refere às dificuldades para alimentação saudável, os resultados evidenciam a importância do conhecimento dos profissionais de saúde acerca do tema e da consequente necessidade de adequação das ações de
promoção da alimentação saudável. E, a leitura de rótulos de alimentos precisa ser popularizada, seja por meio de campanhas educativas, ou da interação entre usuários e profissionais de saúde. É necessário enfatizar não só a importância de observar a validade dos produtos, mas, principalmente, de consultar as informações nutricionais, visando a escolhas alimentares mais saudáveis.
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