PERFIL DOS CASOS DE TUBERCULOSE NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE PRISIONAL DO MUNICÍPIO DO RIO GRANDE
Autor: Dienefer Venske Bierhals (Currículo Lattes)
Resumo
A tuberculose (TB), doença infectocontagiosa, é um importante problema de saúde pública, com alta prevalência em pessoas privadas de liberdade (PPL). Esse estudo teve como objetivos principais: analisar a dinâmica de transmissão e o perfil de sensibilidade aos antimicrobianos de cepas de Mycobacterium tuberculosis de PPL e avaliar os dados epidemiológicos, clínicos e laboratoriais dos casos de TB. Para isso, foi realizado um estudo transversal e retrospectivo que incluiu 228 amostras/pacientes de escarro recebidas no Laboratório de Micobactérias da Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande - RS, entre janeiro de 2016 e dezembro de 2017. As amostras foram obtidas de PPL atendidas na Unidade Básica de Saúde (UBS) localizada na Penitenciária Estadual de Rio Grande (PERG), Rio Grande do Sul, Brasil. A coleta dos dados epidemiológicos, clínicos e laboratoriais dos pacientes foi realizada nos bancos de dados do Laboratório de Micobactérias e da UBS Prisional. Para analisar o perfil de sensibilidade aos antimicrobianos foi realizada a técnica Resazurin Microtitre Assay (REMA) e para investigar a dinâmica de transmissão do M. tuberculosis foi utilizada a técnica Mycobacterial Interspersed Repetitive Units – Variable Number Tandem Repeat (MIRU-VNTR) 15 loci. No período do estudo, foram diagnosticados 35 pacientes com TB, sendo 68,6% casos novos, com a cura como desfecho mais frequente (74,3%). A coinfecção TB/HIV foi observada em 8,6% dos pacientes, dado inferior ao observado no município (35,0%). Observou-se que 55,9% dos isolados clínicos encontravam-se geneticamente agrupados em 5 clusters, cada um contendo de 3 a 5 isolados. Quanto ao perfil de resistência aos antimicrobianos, 9,1% dos isolados apresentaram resistência a um dos antimicrobianos, sendo 6,1% mono resistentes a estreptomicina e 3,0% mono resistentes a isoniazida. Este cenário pode ser decorrente da realização do tratamento diretamente observado com todas as PPL diagnosticadas com TB pela equipe de saúde da PERG e o monitoramento das infecções sexualmente transmissíveis. Esses resultados, provavelmente, são decorrentes da implementação da UBS na PERG, permitindo uma rápida detecção dos casos de TB com o tratamento adequado e monitorado. Apesar disso, o alto percentual de isolados formando agrupamentos genéticos aponta para um cenário de transmissão recente entre PPL ressaltando a necessidade de ampliar a busca ativa, especialmente, no ingresso a casa prisional, bem como implementar medidas profiláticas para reduzir a transmissão do bacilo.
TEXTO COMPLETO DA DISSERTAÇÃO