Dissertação - Daniela Peres Martinez

FREQUÊNCIA DE INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS EM MULHERES PRIVADAS DE LIBERDADE NO SUL DO BRASIL

Autor: Daniela Peres Martinez (Currículo Lattes)

Resumo

A Organização Mundial de Saúde estima que mundialmente a cada dia ocorrem um milhão de novos casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A população privada de liberdade (PPL) é considerada população de risco para a aquisição e transmissão de doenças infectocontagiosas, dentre as quais figuram as ISTs. A PPL é submetida a condições de vida precárias, alimentação inadequada ou insuficiente, más condições de higiene, além de apresentar maior índice de utilização de drogas, o que também contribui para a disseminação destas infecções. O objetivo deste trabalho foi avaliar a frequência de infecção por Trichomonas vaginalis, vírus herpes simples tipo 1 (HSV-1) e vírus herpes simples tipo 2 (HSV-2) nas mulheres privadas de liberdade no regime fechado nas casas prisionais da 5a Delegacia Prisional Regional (DPR) do Rio Grande do Sul entre o período de julho de 2017 a janeiro de 2018. A 5a DPR inclui a penitenciária do Rio Grande e os presídios de Pelotas, Camaquã, Canguçu, Jaguarão e Santa Vitória do Palmar. A frequência de casos de ISTs encontradas foi relacionada com dados demográficos, socioeconômicos, histórico prisional, histórico de comportamento sexual e conhecimento sobre ISTs das detentas. Trata-se de estudo transversal censitário. Foram coletadas amostras cérvico-vaginais com o auxílio de uma escova VAGISPEC ® de todas as mulheres que aceitaram participar do estudo (n = 57). A avaliação de presença de DNA dos patógenos foi realizada pela técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) para os alvos específicos. Foram encontradas as seguintes frequências das ISTs analisadas: 11% para T. vaginalis, 5% para HSV-1 e 18% para HSV-2. O fumo foi considerado um fator de risco para infecção por HSV-2 (p = 0,03) e o consumo de álcool foi considerado um fator de risco para infecção por HSV-1 (p = 0,05) ; outro fator de risco encontrado, neste caso para infecção por T. vaginalis foi o relacionamento sexual com indivíduos positivos para o vírus do HIV (p = 0,02). Os dados encontrados no presente trabalho corroboram com a literatura sobre o tema, que destaca a vulnerabilidade da PPL frente a doenças infectocontagiosas.

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