Dissertação - Paula Teixeira Chaves

PARASITOSES INTESTINAIS EM PESSOAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO CADASTRADAS NA ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS AUTISTAS DE RIO GRANDE – RS, BRASIL

Autor: Paula Teixeira Chaves (Currículo Lattes)

Resumo

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é caractacterizado como uma classe de condições neurodesenvolvimentais, com sintomas que afetam a comunicação social e funcional, bem como comportamentos estereotipados e um repertório restrito de interesses e atividades. Disfunções gastrointestinais são apontadas como um fator responsável por manifestações de inquietação, heteroagressão, autoagressão e insônia, frequentes em pessoas com TEA, e que as mudanças no padrão da microbiota intestinal estão associadas a estes comportamentos. A presença de dor abdominal é um agravante, pois muitas das pessoas com TEA não conseguem utilizar-se da fala para expressar este sintoma, manifestando-o portanto com comportamentos atípicos. Até o momento não se sabe se há associação entre enteroparasitoses e os sintomas gastrointestinais em pessoas com TEA. O objetivo deste estudo foi avaliar a ocorrência de parasitoses intestinais em pessoas com TEA cadastradas na Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Rio Grande – RS, Brasil, e identificar possíveis fatores de risco. Para a realização deste estudo transversal, foi aplicado um questionário estruturado fechado a um familiar/cuidador de cada pessoa com TEA. Foi solicitada a coleta de três amostras de fezes de cada pessoa com TEA e de seu respectivo familiar/cuidador, sendo processadas pelas técnicas de Ritchie e de Faust para pesquisa de e ovos de helmintos e cistos de protozoários. Das 52 pessoas que responderam os questionários, 29 pessoas com TEA e seus respectivos familiares/cuidadores coletaram as amostras de fezes. Nenhuma pessoa com TEA apresentou positividade nos exames parasitológicos realizados, no entanto, um familiar apresentou resultado positivo para cistos de Giardia lamblia. A maioria da população possuía hábitos de higiene e condições de saneamento básico adequados e afirmaram que os filhos não apresentavam sintomas compatíveis a parasitoses intestinais. A partir dos resultados obtidos, é possível sugerir que o cuidado com esta população quanto a sua saúde, o grau de escolaridade elevado dos familiares/cuidadores e as condições de saneamento dos domicílios, representam um fator de prevenção para as parasitoses intestinais.

TEXTO COMPLETO DA DISSERTAÇÃO