Dissertação - Ronan Adler Tavella

Uso de drogas ilícitas durante a gravidez: uma perspectiva global

Autor: Ronan Adler Tavella (Currículo Lattes)

Resumo

O Relatório Mundial sobre Drogas de 2017 apresentou um número alarmante para o mundo: mais de 5% da população mundial tem usado algum tipo de droga ilícita, e esse número está crescendo a cada ano. O abuso de drogas ilícitas tem se tornado um problema mundial em todos os níveis da sociedade. Entretanto, mais recentemente, a atenção tem se direcionado para o uso dessas substâncias por parte de gestantes. Isso ocorre, pois, essa população requer muitos cuidados especializados, devido, principalmente, ao elevado número de efeitos adversos, tanto para mãe quanto para o feto, que as drogas ilícitas podem causar. É notório que, embora seja um problema crescente na população mundial, existem poucos trabalhos publicados sobre o uso de drogas durante a gravidez e que se trata de um problema de saúde pública pouco discutido. Ademais, ensaios clínicos nessa população, quando realizados, são geralmente restritos a comparações estatísticas e a ausência de estudos epidemiológicos nacionais e internacionais abordando o uso e a dependência de drogas ilícitas na gestação limita o conhecimento sobre um panorama geral do problema. Para melhor esclarecer o estado do conhecimento sobre determinado assunto, explicar possíveis contradições aparentes, identificar pesquisas necessárias e até mesmo criar um consenso onde não existia antes, são realizadas revisões críticas. Assim, o objetivo deste estudo foi apresentar uma análise global crítica sobre uso de drogas ilícitas em gestantes. A pesquisa foi realizada pela busca simultânea dos termos ("mulher grávida OU grávida" OU “gestação” OU “gravidez” E “drogas ilícitas” OU “drogas de rua”) nas bases de dados da Scientific Electronic Library Online, PubMed e Web of Science. Comparações entre os estudos foram realizadas por meio de testes estatísticos. A prevalência média encontrada nos estudos, quando considerado o número amostral de cada estudo, foi de 1,77%. A droga ilícita relatada como maior frequencia de uso nos estudos foi a maconha (44,11%), seguida pela cocaína (14,7%). O uso de substâncias ilícitas em todos os continentes foi relativamente comparável, embora o número de estudos fora das Américas seja notavelmente menor. Ademais, os dados obtidos apresentam resultados preocupantes em relação a diferença na prevalência do uso de drogas ilícitas durante a gestação, quando comparados estudos que utilizaram apenas a obtenção dessa informação por auto relatos (1,61%) e estudos que obtiveram essa informação através de análises toxicológicas (10,92%). Além disso, enfatiza-se a elevada prevalência (5,15%) de uso de drogas ilícitas entre gestantes adolescentes e o baixo número de estudos sobre essa população. Esse cenário revela a necessidade de que os sistemas de saúde de diferentes países estabeleçam políticas específicas de saúde pública para essa população. Os sistemas devem contemplar a inclusão, o apoio e o envolvimento das gestantes que usam substâncias ilícitas durante toda a gravidez, para que essas mulheres não negligenciem informações importantes para o próprio cuidado e, principalmente, de seus fetos.

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