QUAIS PESTICIDAS ESTÃO CONTAMINANDO OS SOLOS BRASILEIROS? UMA REVISÃO CRÍTICA
Autor: Caroline Lopes Feijo Fernandes (Currículo Lattes)
Resumo
Os pesticidas são considerados um problema global em função dos riscos atrelados à saúde ambiental e humana. Dentre os países que realizam ampla utilização destes compostos, o Brasil é, desde 2008, considerado o maior consumidor mundial. Um total de 484 princípios ativos são aprovados para uso dentro do território brasileiro. Dentre os compartimentos ambientais que sofrem com a contaminação destes compostos, está o solo, o qual sua qualidade é de extrema importância para o funcionamento ecológico, produção primária e saúde humana. A partir desta problemática, este estudo realizou uma revisão sistemática sobre os diferentes tipos de pesticidas e suas concentrações encontradas nos solos do território brasileiro. A busca ocorreu em bases de dados nacionais (base de dados de pesquisa agropecuária) e internacionais (Scielo, PubMed, Web Of Science, Toxnet e Google Scholar). Foi abordada uma discussão crítica comparando os valores de referência brasileiro com os dos Estados Unidos, Canadá e União Europeia. Além disso, foram calculados os quocientes de risco para cada pesticida detectado, considerando os limites legais dispostos na legislação vigente. Os principais resultados deste estudo foram a identificação da carência de estudos sobre o tema e os existentes com poucas informações analíticas para avaliação dos métodos utilizados. Foram investigados 81 pesticidas e destes 55 foram detectados no solo. Dentre os detectados, apenas 22% estão listados na resolução brasileira vigente. Grande parte das amostras de solo foram oriundas de áreas residenciais (52%) e da região sudeste (n=11), seguido das regiões nordeste (n =3), norte (n =3), sul (n=3) e centro- oeste (n=1); os principais agrotóxicos investigados e determinados foram os organoclorados, principalmente o DDT, HCH e metabólitos. As maiores concentrações destes pesticidas foram em solos residenciais e apresentaram os maiores quocientes de risco. Não foram detectados pesticidas em 19% dos estudos avaliados e a maioria detectaram entre 2 e 5 tipos diferentes de resíduos nas amostras avaliadas. Estes resultados demonstram a alta suscetibilidade ambiental dos solos brasileiros e o poder limitado que a legislação nacional possui. Em função do limitado número de dados, sugerimos a necessidade de novos estudos em regiões com alto comércio de pesticidas, como a região centro-oeste, e que possuem poucas informações, bem como a investigação de pesticidas usados majoritariamente (fenilureias e imidazoles) nas culturas do território nacional. Além disso, este estudo reflete sobre o dever governamental para com a revisão dos valores referenciados para solo previstos na resolução CONAMA 420/2009 e a implementação de um programa de monitoramento efetivo sobre agrotóxicos no solo, visando a preservação da qualidade do solo e da vida. Ademais, nos comprometemos a disponibilização dos dados para órgãos ambientais e pesquisadores, para que seja possível um acompanhamento da qualidade ambiental e desenvolvimento de novas técnicas de recuperação e gestão de sítios contaminados.
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