PREVALÊNCIA E FATORES ASSOCIADOS A DEPRESSÃO E ANSIEDADE EM PESSOAS PRIVADAS DE LIBERDADE NA REGIÃO SUL DO BRASIL
Autor: Caroline Ribeiro Costa (Currículo Lattes)
Resumo
O Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo e esse número vem crescendo exponencialmente nos últimos anos. Diversos estudos apontam uma alta prevalência de transtornos mentais nessa população, variando de 25% a 80%. O conhecimento sobre a saúde mental dessa população é importante para a elaboração de ações que minimizem fatores agravantes ou desencadeantes do adoecimento mental e reincidência criminal, além de contribuir para maior qualidade de vida e reinserção social após o cumprimento da pena. O presente estudo teve como objetivo investigar a prevalência e os fatores associados a transtornos mentais na população carcerária na região sul do Rio Grande do Sul. Foram pesquisados os presídios de Pelotas, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar, Jaguarão, Camaquã e Canguçu. Para avaliação dos transtornos mentais foi utilizado o Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI plus), módulos: Episódio Depressivo Maior e Transtorno de Ansiedade Generalizada e para a avaliação dos fatores associados foi aplicado um questionário com variáveis socioeconômicas, prisionais, saúde mental e uso de substâncias. Participaram do estudo 643 presos em regime fechado, sendo 90,2% homens. As variáveis foram analisadas por modelo de regressão de Poisson e as análises estatísticas foram realizadas através do software Stata® 14.0. A prevalência de depressão encontrada no estudo foi 20,6% (IC95%: 17,5- 23,8) e ansiedade 19,9% (IC95%: 16,8-23,0). Foram identificados como fatores de risco para a depressão: ser do sexo feminino, ter histórico de doença mental, cor de pele não-branca, ter religião, não receber visitas, fumar, uso de drogas e não realizar atividades físicas. E os fatores de risco para ansiedade foram: ser do sexo feminino, ter histórico de doença mental, histórico de doença mental na família, fumar e uso de drogas. O estudo confirmou as altas taxas de depressão e ansiedade na população privada de liberdade. Além disso, as mulheres tiveram duas vezes mais chances de ter ambos os transtornos em comparação aos homens.
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