INVESTIGAÇÃO DOS EFEITOS NEUROPROTETORES DE NANOEMULSÕES CONTENDO CURCUMINA EM UM MODELO EXPERIMENTAL DA DOENÇA DE PARKINSON
Autor: Osmar Vieira Ramires Júnior (Currículo Lattes)
Resumo
A Doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa caracterizada pela morte dos neurônios dopaminérgicos na substância negra compacta que leva à distúrbios motores. O tratamento da DP é bastante limitado e novas estratégias terapêuticas neuroprotetoras têm sido investigadas. A curcumina (CUR) é um composto polifenólico com propriedades antioxidantes e que apresenta efeitos neuroprotetores em modelos experimentais da DP. Entretanto, sua eficácia é limitada à sua baixa solubilidade aquosa e biodisponibilidade. A fim de minimizar estes problemas, nanopartículas tem sido desenvolvidas para aumentar do potencial terapêutico de diferentes compostos fenólicos. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos neuroprotetores de nanoemulsões contendo curcumina (NC) e CUR isolada em um modelo experimental da DP. As NC foram preparadas pelo método de difusão de solvente a quente associado à temperatura de inversão de fases. Camundongos Swiss machos (n = 8-10 animais/grupo) foram tratados com veículo (CMC 0,5%), nanoemulsões brancas (NB), CUR (C25, 25 mg/kg; C50, 50 mg/kg) ou NC (NC25, 25 mg/kg; NC50, 50 mg/kg) por via oral por 30 dias. A partir do oitavo dia foram expostos à rotenona (1 mg/kg) por via intraperitoneal até o 30o dia. O grupo controle (C) recebeu CMC 0,5% por via oral e veículo (DMSO 2% + TCM 98%) por via intraperitoneal. Logo após o tratamento, os animais foram submetidos a testes comportamentais, eutanasiados e o cérebro foi removido para análises bioquímicas. A administração crônica de rotenona demonstrou um comprometimento significativo na função motora (campo aberto, beam walking e pole test), inibição da atividade do complexo I mitocondrial e alterações em parâmetros de estresse oxidativo (aumento da peroxidação lipídica, modulação na atividade da glutationa peroxidase, glutationa redutase, catalase e no conteúdo de tióis não proteicos), em comparação com o grupo controle. Em geral, tanto o tratamento com NC quanto à CUR melhoraram significativamente o comprometimento motor, reduziram a lipoperoxidação, modificaram as defesas antioxidantes e preveniram a inibição da atividade do complexo I induzidos pela rotenona. Entretanto, a NC foi mais efetiva em prevenir às alterações comportamentais e a inibição do complexo I quando comparada com a CUR na forma livre. Além disso, os diferentes tratamentos não causaram toxicidade hepática e renal. Estes resultados sugerem que a curcumina nanoemulsionada, comparada com a forma livre, melhora efetivamente o potencial terapêutico da CUR e pode ser uma estratégia terapêutica interessante na prevenção e tratamento da DP.
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