Dissertação - Tatiane Britto da Silveira

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA CONTRA A CRIANÇA SOB O OLHAR DA EQUIPE DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

Autor: Tatiane Britto da Silveira (Currículo Lattes)

Resumo

A violência doméstica e intrafamiliar contra a criança acompanha a história da humanidade e trata-se de um aspecto presente na organização das sociedades. Desde o século XX, esta situação vem sendo tratada como um problema social e de saúde pública. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), estima-se que 133 a 275 milhões de crianças sofrem, anualmente, com a violência doméstica/intrafamiliar, seja por conflitos entre os pais ou por uma interação abusiva entre o adulto e a criança. No Brasil, a Secretaria de Direitos Humanos constatou que, no primeiro semestre de 2014,houve 54.931 casos. Os objetivos do presente estudo foram:identificar como os profissionais das Unidades Básicas Saúde da Família (UBSF), reconhecem os casos de violência psicológica contra a criança; identificar as ações realizadas pelos profissionais das UBSFs frente aos casos de violência psicológica contra a criança. Este estudo é uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva. A coleta dos dados foi realizada por meio da entrevista semiestruturada, contendo dez questões norteadoras sobre o tema. Para análise dos relatos utilizou a análise temática de conteúdo. Da análise, emergiram duas categorias: 1) A importância do vínculo entre profissionais e usuários e, 2) Priorização dos sintomas físicos e banalização dos sintomas psicológicos.Todos os princípios éticos estabelecidos pelo Conselho Nacional de Saúde na Resolução no 466/2012 foram respeitados. Os resultados deste estudo mostraram que, mesmo havendo avanços na saúde, no que tange a saúde mental, ainda encontram-se muitas dificuldades e lacunas no que se refere à atuação dos profissionais de saúde das UBSFs, principalmente em relação à violência psicológica. Tal situação ocorre devido à inexistência de capacitações relativas a esse problema, inviabilizando sua identificação e as intervenções adequadas. Os profissionais utilizam parâmetros a partir de suas experiências de vida, impedindo a detecção desse tipo de violência e rompimento do seu ciclo, no contexto intrafamiliar. O vínculo entre profissionais e usuários se constitui em importante ferramenta para o estabelecimento de uma relação de confiança, facilitando, desta forma, a aproximação das famílias as UBSFs. Os profissionais de saúde, por sua vez, ainda apresentam forte tendência a priorização dos sintomas físicos e suas ações permanecem pautadas em tais evidências, sendo a violência psicológica subestimada e não identificada pelos mesmos. Conclui-se que, apesar do Brasil ter Políticas de Saúde e Políticas para o Enfrentamento da Violência muito bem elaboradas no que tange aos seus princípios e diretrizes em seu arcabouço teórico, ainda está longe de efetivá-las na prática, o que mostra sérias lacunas para a promoção da saúde em famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade.

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