IMPACTO DE UM PROGRAMA DE FORTALECIMENTO DA PRIMEIRA INFÂNCIA EM PACIENTES EGRESSOS DE UMA UTI NEONATAL
Autor: Fernanda Dias Almeida (Currículo Lattes)
Resumo
No município de Rio Grande/RS, no programa Primeira Infância Melhor (PIM), dentre as crianças atendidas estão as egressas da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr., as quais também têm seu desenvolvimento monitorado pelo projeto “Follow-up de pacientes egressos da UTI Neonatal: a busca de uma assistência integral de qualidade”. Entretanto, embora ambos sejam processos de mediação do desenvolvimento infantil, o potencial de intervenção de cada um, apesar de suas especificidades, é afetado pelo conhecimento técnico de todos os envolvidos. Quando se trata do desenvolvimento infantil, obter informações a respeito do visitador do Primeira Infância Melhor, dos registros por ele preenchidos e acerca da mediação familiar, é benéfico para alavancar a aproximação e concretizar práticas com a mesma intencionalidade, contribuindo para aperfeiçoar e integrar os programas Primeira Infância Melhor e Follow-up. Nesse cenário, o estudo objetivou investigar a contribuição dos visitadores do programa Primeira Infância Melhor para monitoramento, avaliação e estabelecimento de conduta junto aos egressos da UTI Neonatal do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo e transversal. A pesquisa documental teve como fontes o documento compilado do formulário de acompanhamento do desenvolvimento infantil (tabelas de ganhos), utilizado no programa Primeira Infância Melhor, e os registros dos prontuários médicos de três crianças do ambulatório de egressos da UTI Neonatal do Hospital Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. A coleta de dados envolveu também a aplicação de entrevista semiestruturada com as mães ou responsáveis pelas crianças. Os dados gerados foram sujeitos à análise de conteúdo, sob o viés teórico de Laurence Bardin. Os resultados demonstram que os conhecimentos dos visitadores analisados apresentam insuficiências na área de Neurologia e desenvolvimento infantil, em especial na área da linguagem; também há falhas no processo de orientação às mães ou responsáveis. Não ter concluído a graduação em Pedagogia, a falta de experiência prévia na área da saúde e a ausência de uma capacitação específica podem ser fatores que contribuem para a inadequação das observações registradas. Substancialmente, são achados que sustentam a tese: o programa Primeira Infância Melhor é uma importante ferramenta na intervenção perante o desenvolvimento infantil; a qualidade dessa contribuição depende do conhecimento técnico e socioemocional dos interventores envolvidos. Tal entendimento sustenta-se na percepção de divergências entre os registros médicos e os registros dos visitadores do PIM, havendo ausência de orientações que propiciem a devida mediação pela família. Por conseguinte, as crianças acompanhadas nos programas Follow-up e PIM ficam propensas a lacunas no seu processo de intervenção precoce. Logo, sugere-se aos responsáveis pelo PIM avaliar os resultados obtidos e refletir sobre a sua estrutura e funcionamento. É ponderável a intensificação do intercâmbio de informações e ações entre os serviços do PIM e do projeto Follow-up, de modo a caracterizar uma parceria integrativa e concretizar o convênio estabelecido de modo documental. O aprimoramento das ações para integração entre os programas terá como consequência uma melhoria na mediação parental e um desenvolvimento infantil mais exitoso. Tal articulação constitui uma alternativa para minimizar os posteriores gastos com reabilitação física, cognitiva e emocional que as crianças possam vir a apresentar em longo prazo.
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