AVALIAÇÃO DA FIBROSE HEPÁTICA EM PACIENTES COINFECTADOS HCV/HIV ATRAVÉS DE PARÂMETROS IMUNOLÓGICOS, BIOQUÍMICOS E ELASTOGRAFIA
Autor: Deise Machado dos Santos (Currículo Lattes)
Resumo
A sobrevida dos pacientes infectados pelo HIV começou aumentar drasticamente após a introdução da terapia antirretroviral e a doença hepática tornou-se uma das principais causas de morte. A coinfecção HCV/HIV está associada com a progressão da doença hepática e entender a patogênese da fibrose hepática permanece crucial para melhorar o manejo destes pacientes. As citocinas IL-6 e IL-10 parecem estar relacionadas com a lesão hepatocelular, pois o desequilíbrio resulta na fibrose persistente e na doença hepática crônica. O presente estudo teve como objetivo avaliar a fibrose hepática nos pacientes coinfectados e comparar com possíveis fatores preditivos, além de verificar o comportamentodas citocinas IL-6 e IL-10 na progressão da fibrose hepática. O estudo foi desenvolvido no Centro de Aplicação e Monitorização de Medicamentos Injetáveis do Hospital Universitário Miguel Riet Corrêa Junior, na cidade de Rio Grande/RS. Aplicou-se um questionário nos pacientes, bem como análise dos prontuários médicos, realização de elastografia hepática e dosagem de IL-6 e IL-10. Esse estudo foi dividido em duas etapas. A primeiraavaliou a fibrose, através de métodos não invasivos pré e pós-tratamento com antivirais de ação direta (DAA) em pacientes coinfectados. A associação entre o grupo de estudo e o grau de fibrose foi avaliada por meio de regressão logística ordinal, obtendo-se as razões de odds e os intervalos de confiança de 95%. Com a introdução de DAA houve uma melhora significativa da fibrose hepática no pós-tratamento, tanto nos pacientes coinfectados como nos monoinfectados HCV (grupo controle) quando avaliada por biomarcadores e elastografia hepática. A segunda etapa buscou identificar o comportamento de IL-6 e IL-10 no pré e pós-tratamento com DAA em pacientes coinfectados, e comparar com grupos de pacientes sadios, monoinfectados pelo HCV e monoinfectados pelo HIV. A IL-6 e IL-10 foram dosadas por ELISA. Foi observado uma regressão dos graus de fibrose hepática, devido a uma provável redução do processo inflamatório,nos pacientes monoinfectados (HCV) ecoinfectados (HCV/HIV), quando avaliados pelos métodos não invasivos (elastografia, APRI e FIB4). Ao analisar os níveis séricos da IL-6 pós-tratamento, notou-se que a média dos valores foi superior em graus mais avançados em relação aos graus mais leves de fibrose hepática. Quanto ao nível sérico da IL-10, no pré-tratamento,houve uma diferença significativa entre os grupos, com maior média no grupo de coinfectados, ecom uma redução no pós-tratamentoem ambos os grupos. Portanto, deve ser manter um acompanhamento a longo prazo para melhor entender a relação da erradicação do HCV, alterações de citocinas e associação com os graus de fibrose hepática, em vista que a RVS, por si só, não é capaz de determinar a regressão ou impedir a progressão da fibrose hepática
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