Efeitos de um programa de exercícios domiciliares no equilíbrio, força muscular e prevenção de quedas em idosos brasileiros da atenção primária: um ensaio clínico randomizado
Autor: Tainara Steffens (Currículo Lattes)
Orientador: Prof. Dr. Rodrigo Dalke Meucci
Resumo
O envelhecimento implica em declínios de força muscular, que impactam no equilíbrio, na mobilidade, no número de quedas e na independência das atividades básicas de vida diária. O exercício físico apresenta efeito positivo e atenuante desses declínios, e o programa de exercícios domiciliares como o de Otago, se mostraram efetivos na prevenção de quedas em diversos países, no entanto não sabemos qual o efeito desse programa na população Brasileira. Objetivo: avaliar os efeitos de um programa de exercícios domiciliares no equilíbrio, na força muscular de membros inferiores, mobilidade e na prevenção de quedas em idosos brasileiros comunitários da Atenção Primária, do município de Rio Grande/ RS - Brasil. Métodos: Foi realizado um ensaio clínico randomizado, de dois braços, unicego, de grupos paralelos, com amostragem probabilística, com idosos de 70 anos ou mais, pertencentes às áreas de abrangência de Unidades Básicas de Saúde da Família. Todos os participantes receberam orientações usuais para prevenção de quedas preconizados pelo Ministério da Saúde Brasileiro, e essa foi a única intervenção do grupo controle. O grupo intervenção, adicionalmente, recebeu o programa de exercícios domiciliares baseado no programa de exercícios de Otago (PEO). A intervenção em ambiente domiciliar teve duração de 12 semanas, com orientação de praticar três vezes por semana, e receberam três visitas domiciliares, com a entrega de um manual de exercícios ilustrado, e ligações telefônicas. Os desfechos foram: a força muscular (mensurados pelo teste de sentar e levantar de 5 repetições - TSL), equilíbrio proativo (pelo teste de alcance funcional- TAF), equilíbrio dinâmico (velocidade da marcha -VM), mobilidade funcional (Timed Up and Go-TUG) e as quedas. As avaliações ocorreram na linha de base (T1: pré-intervenção), pós-intervenção (T2: após 12 semanas) e no follow-up (T3: de ~15 meses). Para avaliar os efeitos do PEO no TSL, TAF, VM e TUG foi realizada regressão multinível para verificar a interação entre grupo, tempo de intervenção e momentos (pré e pós-intervenção) nas mudanças dos desfechos. Utilizou-se análise Equações de Estimação Generalizadas para avaliar mudanças nas taxas de quedas ocorridas no T1, T2 e T3. Todas as análises foram feitas no software Stata13.1®. Resultados: o estudo incluiu 230 idosos com idade de igual ou superior a 70 anos (n=115 em cada grupo). No artigo 1, tanto o grupo controle quanto o grupo que realizou o Programa de Exercícios Otago (PEO) tiveram piora significativa na força muscular (TSL), equilíbrio (TAF) e mobilidade (TUG) ao longo das 12 semanas. Não houve diferença significativa entre o grupo controle e o grupo PEO em nenhuma das variáveis analisadas. A piora foi consistente internamente: ambos os grupos se deterioraram no TSL e TAF, e o grupo controle também piorou significativamente na mobilidade (TUG). No artigo 2: ambos os grupos apresentaram reduções similares ao longo do tempo (PEO:24%; GC:23%, p= p=0,830), o grupo não teve efeito significativo na taxa de quedas, o tempo prolongado de intervenção promoveu redução de 43% nas quedas. Conclusão: No artigo 1: O Programa de Exercícios Otago, como aplicado neste estudo, não teve efeito na força muscular, equilíbrio e mobilidade ao longo do tempo nesta população específica. No artigo 2: O programa de exercícios domiciliares não se sobressaiu ao grupo controle na prevenção de quedas dos idosos participantes da pesquisa. Os efeitos do PEO foram maiores no follow-up com redução nas quedas no T3 comparado ao T1 e T2.