Infecção por SARS-CoV-2 na gestação: perfil clínico-epidemiológico e desfechos maternos e neonatais em parturientes sintomáticas no extremo sul do Brasil
Autor: Jessica da Silva Dittgen (Currículo Lattes)
Orientadora: Profa. Dra. Vanusa Pousada da Hora
Resumo
As alterações imunológicas e fisiológicas da gestação podem aumentar a susceptibilidade a infecções virais e levar a desfechos obstétricos desfavoráveis. Apesar do crescimento de estudos sobre covid-19 na gestação, ainda existem lacunas sobre seus impactos clínicos em regiões periféricas do Brasil. Este estudo teve como objetivo avaliar o perfil clínico-epidemiológico e os desfechos gestacionais e neonatais de parturientes sintomáticas com infecção por SARS-CoV-2 confirmada por RT-qPCR. Trata-se de um estudo transversal, retrospectivo e documental, realizado com 44 parturientes sintomáticas atendidas no Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Côrrea Júnior (HU-FURG), Rio Grande (RS), no período de junho de 2020 a dezembro de 2023. A idade média das gestantes foi de 30,9 anos. Predominaram mulheres jovens, com escolaridade até o ensino médio e sem companheiro, configurando vulnerabilidade socioeconômica. A taxa de cesárea foi de 52,3% e a prematuridade ocorreu em 18,2% dos nascimentos. As principais complicações gestacionais foram ruptura prematura de membranas (27,3%), aborto e pré-eclâmpsia (11,4% cada). A média de peso neonatal foi de 3066,1 g; 15,2% apresentaram baixo peso ao nascer (<2500 g) e apenas 4,5% tiveram Apgar <7 no 5º minuto. Os desfechos neonatais permaneceram, em sua maioria, dentro da normalidade. Conclui-se que gestantes sintomáticas com covid-19 apresentaram proporções elevadas de cesarianas, prematuridade e ruptura prematura de membranas, especialmente entre mulheres em situação de vulnerabilidade social. Os achados reforçam a necessidade de vigilância obstétrica qualificada e ações voltadas à proteção de gestantes vulneráveis durante emergências sanitárias.