Profilaxia pré e pós exposição ao HIV: conhecimento de profissionais e estudantes da saúde
Autor: Poliana Carla Batista de Araujo (Currículo Lattes)
Orientadora: Profa. Dra. Vanusa Pousada da Hora
Resumo
Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) envolvem um grupo de infecções ocasionadas por bactérias, vírus, protozoários, as quais são propagadas principalmente através do contato sexual sem proteção, incluindo sexo vaginal, anal e oral e são evitadas por práticas sexuais seguras. Além disso, algumas delas também podem ser transmitidas através do sangue ou de mãe para filho durante a gravidez ou parto. Dentre todas as ISTs, a causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) se destaca pela capacidade de ocasionar a síndrome da imunodeficiência adquirida (aids). O HIV é um dos maiores desafios para a saúde pública, uma vez que ainda não se conhece a cura para essa condição. Ainda que seja tratável, muitos indivíduos não têm acesso ao tratamento, principalmente em países de baixa renda. O uso de antirretrovirais como prevenção tem se mostrado um método efetivo, as profilaxias pré (PrEP) e pós exposição (PEP) ao HIV fazem parte destes métodos, ambas possuem grande importância devido à sua eficácia em prevenir a infecção pelo vírus. A disseminação de informações sobre este assunto favorece uma adesão mais ampla e uma maior sensibilização da população. A região sul do país possui taxas preocupantes em relação ao número de novos casos e as taxas de mortalidade causadas pelo HIV e suas consequências ainda são muito altas. O objetivo do trabalho foi avaliar o nível de conhecimento dos profissionais e estudantes das áreas da saúde de um Hospital Universitário do município de Rio Grande acerca das profilaxias pré e pós exposição ao HIV. O estudo foi realizado presencialmente, através de um questionário autoaplicável. Este questionário foi desenvolvido com base no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para PrEP e PEP, publicado pelo Ministério da Saúde em 2024. A pesquisa envolveu profissionais da saúde (HU-FURG/Ebserh) (médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares em enfermagem e farmacêuticos) e estudantes de ensino superior na área da saúde (medicina e enfermagem) da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). A amostra foi composta por 436 participantes, sendo 337 estudantes e 99 profissionais. Os dados foram analisados no software Jamovi 2.3 com análise de estatística e regressão logística binomial após estratificação do nível de conhecimento. Os resultados demonstraram que 62,9% dos estudantes e 48,5% dos profissionais apresentaram alto conhecimento sobre as profilaxias. Foram observadas algumas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos (p < 0,05), evidenciando lacunas específicas de conhecimento, como a exemplo da definição de PrEP e do tempo de duração da PEP. Esses achados reforçam a importância de capacitações permanentes e direcionadas, visando otimizar a implementação das estratégias de prevenção e contribuir para a redução das infecções pelo HIV na região.