Avaliação antimicrobiana e antioxidante de extratos da microalga vermelha Porphyridium sp.
Autor: Natália Popiorek dos Santos (Currículo Lattes)
Resumo
O uso indiscriminado de antibióticos e a escassez de novas alternativas terapêuticas têm impulsionado a busca por compostos naturais com atividades antimicrobiana e antioxidante. Nesse contexto, a microalga vermelha Porphyridium purpureum surge como uma fonte promissora de metabólitos bioativos. Este trabalho foi dividido em duas etapas: uma revisão sistemática sobre os fatores abióticos que influenciam o cultivo de P. purpureum, com foco na produção de exopolissacarídeos (EPS) e suas aplicações biológicas, e uma etapa experimental. Na parte experimental, os extratos metanólico e hexânico foram obtidos por esgotamento por percolação. A atividade antimicrobiana foi avaliada por meio da Concentração Inibitória Mínima (CIM), em um intervalo de 800 a 6,25 µg/mL, frente a bactérias potencialmente patogênicas da microbiota intestinal (E. coli, E. faecalis), patogênicas (S. typhimurium e S. aureus) e uma bactéria benéfica (L. rhamnosus). Adicionalmente, realizou-se o teste de Concentração Inibitória Fracionára pelo método de Checkerboard utilizando as mesmas bactérias, exceto para L. rhamnosus. A atividade antioxidante foi avaliada pelo ensaio ABAP/DCF. Os EPS foram extraídos com etanol absoluto e caracterizados por espectroscopia no infravermelho. Os compostos bioativos dos extratos foram identificados por GC-MS. A citotoxicidade foi avaliada em células Vero (IC) e o Índice de Seletividade (IS) calculado. Os extratos não apresentaram atividade antimicrobiana isolada, mas demonstraram sinergismo com antibióticos: o extrato metanólico com vancomicina contra S. aureus (FICI = 0,50), ciprofloxacina contra S. Typhimurium (FICI = 0,25) e E. coli (FICI = 0,13), e com ampicilina contra E. faecalis (FICI = 0,38). O extrato hexânico também foi sinérgico com ciprofloxacina contra E. coli (FICI = 0,25). O extrato metanólico reduziu a concentração de resistência de E. coli de 4 µg/mL para 0,5 µg/mL. A atividade antioxidante foi dose-dependente e significativamente maior nas concentrações mais altas. A caracterização dos EPS por infravernelho revelou bandas características de grupos hidroxila, carbonila e ligações glicosídicas, indicando a presença de polissacarídeos. A análise de GC-MS identificou ácidos graxos bioativos como ARA, LA, PA, PLA e EPA. O extrato metanólico não apresentou citotoxicidade (IC > 1600 µg/mL), ao contrário do hexânico (IC = 131,54 µg/mL). Este estudo reforça o potencial biotecnológico de P. purpureum, especialmente em aplicações combinadas com antibióticos, contribuindo para a descoberta de alternativas terapêuticas frente à resistência microbiana.