Dissertação - Kathiane Samara Padovani

Revisão sistemática da literatura sobre o efeito de anti-inflamatórios esteroidais e não esteroidais em ensaios pré-clínicos em epilepsia

Autor: Kathiane Samara Padovani (Currículo Lattes)

Resumo

A epilepsia é uma doença neurológica crônica e debilitante que afeta aproximadamente 1% da população mundial. É caracterizada pela ocorrência de crises epilépticas imprevisíveis e recorrentes. O tratamento farmacológico é a primeira linha de escolha com uso isolado ou combinado de fármacos antiepilépticos de primeira, segunda e terceira geração. No entanto, mais de 30% dos pacientes não respondem aos medicamentos disponíveis, o que representa um grande desafio para a saúde pública e impulsiona a busca por novas terapias que atuem por meio de diferentes mecanismos de ação. Considerando a relação entre epilepsia e neuroinflamação, os anti-inflamatórios esteroidais (AIEs) e não esteroidais (AINEs), emergem como promissores para o tratamento da epilepsia. Os principais efeitos terapêuticos desses fármacos se baseiam na supressão da síntese de prostanoides em células inflamatórias. Portanto, com o objetivo de investigar os efeitos de anti-inflamatórios em modelos experimentais in vivo de crises tipo-convulsivas induzidas quimicamente, foi redigida esta revisão sistemática de acordo com o protocolo PRISMA. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, WoS e SciELO. Para avaliação do risco de viés e qualidade foram utilizadas as ferramentas SYRCLE e CAMARADES. Com base nos critérios de elegibilidade, 96 estudos foram incluídos e avaliados. A maioria dos artigos (n = 78; 81,25%) incluiu pelo menos um AINE e prevaleceram estudos com indometacina, celecoxibe e dexametasona. Dentre os desfechos, aspirina foi o fármaco com melhor ação no comportamento tipo-convulsivo e a indometacina teve piores efeitos em camundongos. Diversos estudos destacaram a modulação de mediadores inflamatórios como um dos principais mecanismos envolvidos. Também foi evidenciada ação antioxidante, envolvimento da COX-1 e COX-2 na homeostase e plasticidade neuronal, além da modulação dos receptores gabaérgicos e glutamatérgicos. Houve limitações como a grande heterogeneidade dos estudos e falta de informações completes sobre a toxicidade e efeitos adversos. Apesar disso, esta revisão sistemática evidenciou o efeito neuroprotetor dos anti-inflamatórios na maioria dos artigos, provavelmente através de vias anti-inflamatórias, o que pode servir como base para futuros estudos na área.

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