Georreferenciamento da esporotricose e sua relação com vulnerabilidade social em um município de região hiperendêmica da doença do extremo sul do Brasil
Autor: Cassiane Ferreira Lessa dos Santos (Currículo Lattes)
Resumo
A esporotricose é uma doença, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) negligenciada mundialmente, e está em crescimento exponencial desde a década de 90, quando casos esporádicos passaram a ser surtos em diversas regiões do país e do mundo, tomando um caráter de hiperendemia que cresce até os dias de hoje. No Brasil, Sporothrix brasiliensis é relatada em regiões de surtos e epidemias na forma zoonótica da doença onde os gatos desempenham um papel importante na transmissão da doença aos humanos. O Rio Grande do Sul foi um dos primeiros a relatar surtos de esporotricose zoonótica em felinos desde a década de 1990; sendo que, em 2024, começou o movimento da obrigação de notificação de casos. Objetivos: Georreferenciar os casos de esporotricose dos últimos cinco anos de uma cidade em região hiperendêmica no extremo Sul do Rio Grande do Sul, e avaliar a relação da prevalência da doença com a vulnerabilidade social; bem como produzir material técnico para divulgação científica. Material e métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo, incluindo todos os casos de esporotricose diagnosticados entre janeiro de 2019 e dezembro de 2023 no Laboratório de Micologia da Faculdade de Medicina da FURG, provenientes da cidade do Rio Grande (RG), RS, Brasil. Os endereços foram obtidos a partir do banco de dados do laboratório e georeferenciados. O software QGIS foi utilizado para avaliar a distribuição espacial, e a análise de densidade de Kernel foi aplicada para avaliar a distribuição da esporotricose na cidade. A prevalência da esporotricose humana por 1.000 habitantes por bairro foi calculada, bem como sua relação com vulnerabilidade social. Resultados: Ao longo do período de cinco anos, foram diagnosticados 620 casos de esporotricose, com uma média anual de 118,4 casos/ano. Foram criados mapas de calor evidenciando a distribuição da doença por praticamente todo território do município, tanto em área urbana quanto rural. Bairros com casos sobrepostos de esporotricose felina e humana e densidades altas e muito altas em ambos os hospedeiros, se concentraram nas áreas centrais da cidade de RG, sem relação com vulnerabilidade social. Um boletim local técnico-epidemiológico e informativo dos últimos oito anos sobre a frequência e a distribuição da Esporotricose no RG foi elaborado para disseminar informações desta para profissionais de saúde, comunidade em geral, e gestores públicos para facilitar futuras medidas de combate da doença.