IDENTIFICAÇÃO MOLECULAR DE Trichomonas vaginalis E Toxocara canis EM DIFERENTES TIPOS DE TECIDO PLACENTÁRIO
Autor: Gabriela Torres Mattos (Currículo Lattes)
Resumo
A gestação é baseada em um complexo sistema em equilíbrio, no qual as interações materno-fetais evidenciam um processo modulado e dinâmico, sendo importante estudos relacionados à transmissão vertical de patógenos. A infecção da gestante por agentes infecto parasitários pode alterar o desenvolvimento do sistema imunológico do feto, independentemente da ocorrência da transmissão vertical por patógenos, pois o feto pode ser afetado pelo perfil da resposta imune materna. Embora existam relatos na literatura sobre a transmissão de helmintos, a importância da transmissão congênita tem sido difícil de ser demonstrada e mais estudos sobre a ocorrência destes patógenos, durante a gestação, são importantes para demonstrar possíveis danos diretos ou indiretos. Este estudo teve como objetivo detectar DNA de Trichomonas vaginalis e Toxocara canis em tecido placentário. No primeiro estudo foi investigada a prevalência de DNA de T. vaginalis no tecido placentário de parturientes de hospital público do Sul do Brasil. Foram analisadas pela técnica de PCR biópsias de placenta de 127 parturientes, sendo a prevalência de T. vaginalis de 38,6%. Não houve diferença (p=0,455) entre positividade e o tipo de parto e dados obstétricos e ginecológicos. A taxa de detecção de DNA de T. vaginalis na placenta foi elevada e a provável via de transmissão vertical é diferente da já estabelecida, pelo canal vaginal. No segundo estudo foi avaliada a frequência da toxocaríase murina congênita. Camundongos Swiss foram inoculados com 300, 1200 e 2500 ovos de T. canis em diferentes fases da gestação, com nascimento dos neonatos realizado por cesariana. O encéfalo das fêmeas e os neonatos foram analisados por digestão tecidual, a fim de identificar larvas no tecido, e as placentas pela reação em cadeia da polimerase (PCR) visando a detecção de DNA genômico. A incidência de neonatos infectados foi de 1,4%, 6,2% e 9,2% nos grupos inoculados com 300, 1200 e 2500 ovos de T. canis, respectivamente. Entretanto o DNA do helminto não foi detectado nas placentas desses animais. Esse estudo confirmou a baixa taxa de infecção congênita de T. canis em camundongos.
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