PREVALÊNCIA DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS E DO POLIMORFISMO RS9939609 DO GENE FTO EM UMA POPULAÇÃO MASCULINA PRIVADA DE LIBERDADE NO EXTREMO SUL DO BRASIL
Autor: Aline Rodrigues Monteiro (Currículo Lattes)
Resumo
A saúde da população carcerária tem sido objeto frequente de estudo, visto que representa uma parcela importante da população mundial. O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, atualmente existem mais de 700 mil presos, a maioria em condições precárias, principalmente de saúde. O confinamento os expõe a condições de risco como tabagismo, sedentarismo e nutrição inadequada. Estes são os principais fatores associados às doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) como obesidade, hipertensão, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares. Na última década, as DCNTs têm se tornado foco de preocupação mundial. No Brasil, as DCNTs são responsáveis por 70% das mortes. Essas doenças afetam principalmente a comunidade de baixa renda e escolaridade, enquadrando nesse contexto a população carcerária em situação de risco. Apesar dessa relevância, não são encontrados estudos no Brasil que abordem essa temática na população masculina privada de liberdade. Sabe-se que muitas DCNTs têm sua patogênese relacionada a fatores ambientais e genéticos. O estudo dos polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) sugere que estes podem estar relacionados com o desenvolvimento dessas doenças, como a presença do genótipo AA do gene FTO (rs9939609) sendo fator de risco para a obesidade. O objetivo desse trabalho foi estudar na população carcerária da 5a Delegacia Penitenciária Regional do Rio Grande do Sul-RS a prevalência das seguintes DCNTs: diabetes mellitus, hipertensão arterial e excesso de peso, e do polimorfismo do FTO nessa população. Trata-se de um estudo transversal, realizado com detentos maiores de 18 anos em regime fechado nos presídios estaduais de Pelotas, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar, Camaquã e Jaguarão/Rio Grande do Sul. A coleta de dados foi feita através de questionário estruturado contendo questões socioeconômicas, demográficas, prisionais, comportamentais e de saúde, além de medidas antropométricas e coleta de células da mucosa oral. Os desfechos de hipertensão arterial e diabetes mellitus foram definidos através de autorrelato. O excesso de peso foi definido pelo índice de massa corporal (IMC) ≥25kg/m² através do peso e altura aferidos no momento da entrevista. A análise do FTO se deu por extração total de DNA de células da mucosa oral coletadas no momento da entrevista e posterior genotipagem SNP rs9939609 pela técnica simples de reação em cadeia da polimerase (PCRSSP). Foram entrevistados 580 detentos e as prevalências de DCNTs encontradas foram de 13,8% para hipertensão arterial, 2,7% para diabetes mellitus e 46,3% para excesso de peso. Tais prevalências encontradas na população estudada apresentam os mesmos índices alarmantes da população geral brasileira. A PCR foi realizada em 326 amostras, confirmando a eficiência dos primers. O genótipo AA do FTO apresentou frequência de 19,3% e dos detentos que apresentaram tal polimorfismo, 52,4% apresentaram excesso de peso, porém não foi encontrada uma associação significativa. Neste estudo apresentam-se os primeiros dados que incluem a prevalência de DCNTs da população carcerária masculina do Brasil. Considerando que a população pesquisada é em média adultos jovens e que cerca de 46% estava acima do peso, sugere-se que o ambiente prisional promove fatores de risco modificáveis para DCNTs. Esse dado merece atenção e intervenção, visando prevenir e reduzir os atuais níveis de excesso de peso, diminuindo assim os custos para a saúde pública no país.
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