Tese - Jeane Zanini da Rocha

PATÓGENOS BACTERIANOS UROGENITAIS EM GESTANTES DE ALTORISCO: ABORDAGEM DIAGNÓSTICA E TERAPÊUTICA NO ENFRENTAMENTO DA PREMATURIDADE

Autor: Jeane Zanini da Rocha (Currículo Lattes)

Resumo

A prematuridade representa um dos maiores desafios da obstetrícia moderna. Entre os fatores de risco para prematuridade estão os processos infecciosos, principalmente as infecções do trato urinário (ITU) e colonização materna por Streptococcus agalactiae, também conhecido como estreptococos do grupo B (EGB). Este estudo teve como objetivo avaliar a abordagem diagnóstica e terapêutica dacolonização materna por EGB e ITUs e seu impacto na prematuridade em gestantes de alto risco atendidas em um hospital referência. Esta tese foi dividida em doisestudostendo como população as gestantes de altorisco internadas na Maternidade do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Correa Jr. (HU/FURG). Ambos estudos foram aprovados pelo comitê de ética em pesquisa do HU/FURG. O primeiro estudo foi uma coorte prospectiva quedeterminou a frequência de colonização materna por EGB, comparando a cultura em caldo Granada e PCR real time GeneXpert GBS® como métodos diagnósticos e o impacto da quimiprofilaxia em gestantes de alto risco. Um total de110 gestantes foram entrevistadas e tiveram swab retovaginal coletado para detecção de EGB sendo acompanhadas até o desfecho gestacional. A frequência de colonização materna por EGB foi de 28,2% associada significativamente com Capurro maior de 37 semanas de gestação (p = 0,030) e infecção neonatal (p = 0,008). A quimioprofilaxia para EGB foi implementada em 80% das gestantes colonizadas e, entre estas, observou-se uma redução de cinco vezes na taxa de prematuridade e na taxa de infecção neonatal. A sensibilidade foi de 76,6% e 86,6% na cultura e PCR, respectivamente, com índice de concordância ótimo entre os métodos (K = 0,877), sendo a cultura um método de baixo custo com fácil execução, enquanto o PCR apresentou uma taxa de erro > 10% e alto custo. Contudo, 23,3% das gestantes foram diagnosticadas exclusivamente pelo GeneXpert com resultados obtidos em duas horas. O segundo estudo foi retrospectivo analítico, onde se avaliou o impacto do rastreio para a ocorrência de ITU em gestantes de altorisco internadas na maternidade do HU/FURG. Essa etapa incluiu241 gestantes de altorisco internadas por intercorrências gestacionais no período de janeiro a dezembro de 2017. Através da revisão dos prontuários médicos, foram coletados dados clínicos, laboratoriais e prescrição de antimicrobianos das gestantes de altorisco. As gestantes internadas por suspeita de pielonefrite apresentaram maior probabilidade de rastreio laboratorial para ITU (p <0,001), enquanto as que internaram por trabalho de parto prematuro (TPP) tiveram três vezes menos chance de rastreio. O grupo rastreado apresentou maior frequência de recém-nascidos pequenos para a idade gestacional, com índice de Apgar < 7 e ainda maior taxa de mortalidade neonatal. Contudo, o grupo rastreado teve uma frequência 4,5 vezes menor de prematuridade. O rastreio foi realizado com base somente no exame simples de urina (EQU) em 44,5% dos casos. Entre as uroculturas realizadas, 43% foi positiva, sendo a Escherichia coli o microrganismo maiscomum, presente em 65% das amostras. Detectou-se um elevado consumo de antibióticos, sendo as cefalosporinas e ampicilina as drogas mais utilizadas no tratamento da ITU na gestação. O fármaco com maior perfil de resistência foi a ampicilina, enquanto a classe das cefalosporinas apresentou excelente sensibilidade. Através destes estudos foi possível concluir que há uma elevada prevalência de colonização materna por EGB, assim como de ITUs em gestantes de alto risco, demonstrando a importância do rastreio em ambos os casos. A cultura em caldo Granada, apesar de menor sensibilidade, demonstrou ser um método confiável na detecção do EGB, quando comparada ao PCR real time GeneXpert, já que a concordância entre os métodos foi ótima, além de apresentar baixo custo e fácil execução. As gestantes internadas por queixas urinárias tiveram maior probabilidade de rastreio laboratorial para ITU. Porém, quandorastreadas, uma parcela de gestantes com TPP apresentoubacteriúria assintomática concomitante. Apesar de não interferir em desfechos neonatais como peso ao nascer e mortalidade neonatal, o rastreio foi capaz de reduzir o número de nascimentos prematuros.O consumo de antibióticos foi elevado, enquanto o rastreio através da urocultura mostrou-se baixo, o que pode culminar com aumento da resistência microbiana. Embora a taxa de resistência à ampicilina tenha sido elevada, as cefalosporinas e ampicilina foram os fármacos mais utilizados no tratamento da ITU na gestação.

TEXTO COMPLETO DA TESE