Tese - Laura Carneiro da Rosa Aranalde

PREVALÊNCIA DE INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS BACTERIANAS EM MULHERES NO EXTREMO SUL DO BRASIL

Autor: Laura Carneiro da Rosa Aranalde (Currículo Lattes)

Resumo

As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), estão entre as doenças agudas mais comuns no mundo, responsáveis por sequelas e lesões que afetam a saúde e a qualidade de vida dos indivíduos. Apesar das ISTs afetarem homens e mulheres na mesma proporção, as complicações afetam desproporcionalmente às mulheres, especialmente, às mulheres privadas de liberdade (MPL). O objetivo desta tese foi determinar a prevalência de Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae em mulheres da população em geral e, em MPL, além de identificar os fatores associados à infecção nessas mulheres. Para isto, foram coletadas amostras cervicais de: mulheres atendidas em Unidades Básicas de Saúde da cidade de Rio Grande e ambulatórios de Ginecologia e Obstetrícia de um Hospital Universitário do extremo sul do Brasil entre 2010 e 2011; e de MPL em regime fechado da 5ª Delegacia Penitenciária Regional -Região Sul no período de maio de 2017 a janeiro de 2018. As amostras foram encaminhadas para análise da presença de C. trachomatis  e N. gonorrhoeae  através da Reação em Cadeia da Polimerase, e  todas as participantes responderam a um questionário pré-codificado contendo variáveis sociodemográficas, um autoaplicado contendo variáveis de comportamento sexual. No caso, das MPL, também foi realizado um questionário autoaplicável contendo questões sobre o conhecimento das ISTs. Em relação as mulheres da população geral, das 180 incluídas no estudo, 6 (3%) foram positivas para C. trachomatis e 2 (1%) positivas para N. gonorrhoeae. Entre as mulheres infectadas, somente uma apresentou coinfecção (16,6%). Entre as variáveis associadas à presença de C. trachomatis, todas as infectadas eram gestantes (p=0,02) e o sintoma de corrimento esteve presente na maioria delas (p=0,02). Em relação as MPL, do total de 59 mulheres analisadas, não foi encontrado a presença de N. gonorrhoeae, no entanto, C. trachomatis foi detectada em 13,5% (8/59). Ainda, 77,5% destas mulheres relataram fazer uso irregular de preservativo e, 77,3% não fizeram uso na última relação sexual.  Em relação ao conhecimento sobre ISTs, as mulheres que apresentaram significativo escore de conhecimento tinham idade maior ou igual a 35 anos (MS=0,78 e p=0,005) e recebiam visitas no presídio (MS= 0,86 e p<0,001). Todas as mulheres infectadas pela bactéria erraram as questões relacionadas a C. trachomatis. Esta tese observou uma maior taxa de de C. trachomatis entre as MPL, além de que manter relações sexuais desprotegidas pode ser um dos principais fatores de risco para esta infecção. Alerta-se ao desconhecimento por parte desta população sobre os riscos causados por IST e as medidas de prevenção e cura. Nesta perspectiva, estas informações destacam a importância da ligação entre os serviços de saúde e o sistema carcerário, na promoção de programas de prevenção, diagnóstico e controle de saúde, bem como na educação dessas mulheres.

TEXTO COMPLETO DA TESE