Tese - Michele Tornatore

ALELOS DO HLA-G E SEU EFEITO NA INFECÇÃO PLACENTÁRIA POR HERPESVIRIDAE E HIPERTENSÃO EM GESTANTES DO EXTREMO SUL DO BRASIL

Autor: Michele Tornatore (Currículo Lattes)

Resumo

O HLA-G é uma molécula-chave para os mecanismos de imunorregulação e fundamental para o sucesso das gestações. A diversidade genética do HLA-G  3 tem sido associada a diferentes manifestações clínicas como infecção e persistência viral e distúrbios hipertensivos. Além disso, observou-se que os vírus do herpes simples tipo 1 e 2 (HSV-1/2) podem interromper a expressão do HLA-G, interferindo na imunomodulação. Não existem estudos sobre o perfil genético da população do extremo sul brasileiro, bem como sobre a influência dessa diversidade na suscetibilidade às infecções por herpes vírus ou hipertensão na região. Assim, o objetivo deste trabalho foi determinar os alelos do HLA-G circulantes e seu efeito na infecção por HSV-1/2 em amostras de placenta e hipertensão em gestantes atendidas no Hospital da Universidade  Federal do Rio Grande (FURG). A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição (Parecer nº 136/2011). Amostras de placenta foram coletadas logo após o parto e a detecção de HSV-1/2 foi realizada por Reação em Cadeia da Polimerase (PCR). Um fragmento do HLA-G (exons 2-4) foi  amplificado por PCR, sequenciado e analisado para a determinação do alelo. Cento e setenta pacientes tiveram alelo do HLA-G determinado, sendo encontrados com maior frequência os alelos G*01:01:01 e G*01:01:02, em 52,9% e 26,5% das amostras, respectivamente. Ao todo, foram encontrados 25 alelos do HLA-G, combinados em 57 genótipos diferentes. Das 170 mulheres,  89 foram positivas para DNA de Herpesviridae na placenta, 62 negativas e 19 indeterminadas. Em relação à hipertensão, 37 mulheres apresentaram-se hipertensas na gestação, 114 normotensas e 19 indeterminadas. Não houve associação significativa de um alelo específico e a hipertensão materna. No entanto, em relação à infecção placentária por HSV-1, houve associação do alelo G*01:01:01 à presença deste vírus na placenta (p=0,029; OR=1,45;  27 IC=1,056-1,987) e o alelo G*01:01:02 parece exercer um efeito protetivo, porém sem alcançar significância estatística (p=0,158; OR=0,619; IC=0,341- 29 1,123). Este trabalho contribuiu para conhecer o perfil genético das pacientes atendidas na região, assim como compreender os efeitos que a diversidade genética dessas mulheres pode exercer sobre diferentes desfechos clínicos

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