Tese - Kharen Carlotto

CESARIANA A PEDIDO E OUTROS TIPOS DE PARTO: PREVALÊNCIAS, DISPARIDADES E DETERMINANTES

Autor: Kharen Carlotto (Currículo Lattes)

Resumo

Objetivo: Estudar cesariana a pedido de acordo com a sua ocorrência, tendência e disparidades socioeconômicas entre 2007 e 2016, bem como comparar determinantes maternos e de assistência à gestação e de cada tipo de parto (vaginal, cesariana indicada e a pedido) entre puérperas residentes no município de Rio Grande, RS, em 2016. Metodologia: O delineamento utilizado foi do tipo transversal censitário. Fizeram parte todas as puérperas residentes no município com parto ocorrido nas duas únicas maternidades locais entre 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada um destes anos. Os desfechos dos artigos propostos foram constituídos pela cesariana a pedido, que corresponde a cesariana realizada em atendimento à solicitação da mãe, cesariana indicada, que diz respeito as outras cesarianas com indicação médica, e o parto vaginal (parto via baixa com ou sem uso de fórceps). Foi utilizado o teste qui-quadrado de heterogeneidade para comparar proporções nas análises bivariadas e qui-quadrado de tendência linear para evolução no período. Avaliou-se presença de iniquidade absoluta e relativa na ocorrência de cesariana a pedido entre 2007 e 2016 a partir da renda familiar e da escolaridade das mulheres por meio do Slope Index of Inequality e do Relative Index of Inequality. Regressão de Poisson com ajuste robusto da variância foi usada na análise multivariável. A medida de efeito empregada foi a razão de prevalências (RP). Resultados: Nos quatro anos de estudo, ocorreram 5721 partos por cesariana. A taxa de cesariana a pedido aumentou em 107%, passando de 10,5% (IC95%: 8,9%-12,2%) em 2007 para 21,7% (IC95%:19,5%-23,8%) em 2016, sendo este aumento mais evidente entre aquelas de menor renda familiar e escolaridade. Observou-se ainda aumento na iniquidade absoluta, sobretudo em relação a escolaridade, enquanto que a iniquidade relativa caiu de forma acentuada quando avaliada pela renda familiar. Em 2016, as prevalências de parto vaginal, cesariana indicada e cesariana a pedido foram de 45,9% (44,0%-47,8%), 42,4% (40,5%-44,3%), 11,7% (10,5%-12,9%), respectivamente. Após ajuste, das 13 variáveis testadas, 11 mantiveram-se significativamente associadas a pelo menos um dos desfechos, cinco com três desfechos, três com dois desfechos e duas com apenas um. Nove variáveis apareceram associadas a parto vaginal, oito a cesariana indicada e sete a cesariana a pedido. Somente cinco delas foram comuns na determinação dos dois tipos de cesarianas. Por fim, elevada escolaridade, baixa paridade e maior peso ao nascer aumentaram a RP à realização de cesariana, sobretudo a pedido, ao mesmo tempo em que reduziram a probabilidade de ocorrência de parto vaginal. Conclusão: É preocupante o aumento na ocorrência de cesariana a pedido na localidade estudada. Igualmente grave, é o fato de a diferença entre os extremos das categorias estarem diminuindo às custas, principalmente, do aumento na ocorrência de cesariana a pedido entre as mulheres de pior nível socioeconômico. Todos os fatores associados aos dois tipos de cesarianas atuaram, como esperado, no sentido inverso para parto vaginal. A cesariana indicada e cesariana a pedido não têm os mesmos determinantes, pelo menos em Rio Grande. Logo, a instituição de medidas visando a redução de cesarianas no município pode ter impacto sobre a taxa total de cesarianas, mas não sobre a ocorrência de cesariana a pedido.

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