Tese - Luana Patricia Marmitt

EPISIOTOMIA E LACERAÇÃO PERINEAL: UM ESTUDO DE SÉRIE TEMPORAL NO EXTREMO SUL DO BRASIL

Autor: Luana Patricia Marmitt (Currículo Lattes)

Resumo

Objetivo: avaliar a prática da episiotomia e a ocorrência de laceração perineal no parto vaginal com base nas informações coletadas em quatro inquéritos realizados no município de Rio Grande, RS, nos anos de 2007, 2010, 2013 e 2016. 

Métodos: foram incluídas todas as mulheres com parto vaginal entre 01/01 a 31/12 de cada um destes anos. Todas as informações foram obtidas por entrevista realizada nas maternidades em até 48 horas após o parto. Os desfechos foram constituídos pela ocorrência de episiotomia nos quatro inquéritos, e pela ocorrência de laceração perineal com necessidade de sutura, e episiotomia seguida de laceração no ano de 2016. Utilizou-se teste de qui-quadrado de heterogeneidade para comparar proporções, e na avaliação de tendência, o teste de qui-quadrado de tendência linear. Regressão de Poisson com ajuste robusto da variância foi usada nas análises multivariável. Foi ainda avaliada a presença de iniquidade absoluta e relativa na ocorrência de episiotomia entre 2007 e 2016 a partir da renda familiar e da escolaridade das mulheres por meio do Slope Index of Inequality e do Relative Index of Inequality. 

Resultados: 4.521 mulheres tiveram parto vaginal ao longo dos quatro anos de estudo. A taxa de episiotomia no período caiu de 71,0% (IC95%:68,4-73,5) em 2007 para 40,1% (IC95%:37,3-42,8) em 2016, sendo mais frequente entre mulheres de maior renda e melhor escolaridade. A iniquidade absoluta diminuiu, enquanto a relativa não se modificou. Considerando apenas o ano de 2016, dentre as 1.226 mulheres avaliadas, 37,6% (IC95%: 34,9-40,3) foram submetidas à episiotomia, 26,8% (IC95%: 24,3-29,3) sofreram laceração perineal, e 2,5% (IC95%: 1,6-3,3) sofreram tanto episiotomia quanto laceração. Os principais determinantes destes desfechos foram a menor idade, maior renda e melhor escolaridade das mulheres, pré-natal adequado, parto realizado no setor privado, uso de fórcipe e o maior peso ao nascer. Primiparidade e uso de ocitocina no parto foram fatores associados apenas à ocorrência de episiotomia. 

Conclusão: Apesar da redução significativa na taxa de episiotomia, sua ocorrência permanece elevada, representando o desfecho perineal mais prevalente dentre os avaliados. Mulheres de maior renda e de melhor escolaridade, foram as mais frequentemente submetidas a episiotomia, assim como foram mais comuns de sofrer laceração perineal. O nível socioeconômico e a assistência oferecida por ocasião do parto mostraram-se tão importantes quanto as características materno-fetais, tanto para a ocorrência de episiotomia quanto para laceração perineal. 

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