VÍRUS DA HEPATITE C EM PACIENTES COM DOENÇA RENAL TERMINAL EM TRATAMENTO COM HEMODIÁLISE NO SUL DO BRASIL: DINÂMICA DA CARGA VIRAL E ESTRESSE OXIDATIVO
Autor: Beatris Maria Vidales Braz (Currículo Lattes)
Resumo
Estudos demonstram que apesar da imunidade diminuída dos pacientes com doença renal crônica terminal (DRCt), devido à uremia, o nível de carga viral para a infecção pelo vírus da hepatite C (RNA-HCV) é menor e se mantém baixo ao longo dos anos. Ainda assim, pouco se sabe sobre a cinética da partícula viral durante as sessões de hemodiálise. Nesse sentido, o objetivo do presente estudo foi investigar os efeitos do tipo de dialisador na carga viral de HCV, bem como parâmetros de estresse oxidativo em pacientes em hemodiálise no extremo sul do Brasil. Trata-se de um estudo experimental longitudinal aplicado em duas clinicas públicas de nefrologia, com 72 pacientes de hemodiálise dos municípios de Pelotas e Rio Grande/RS. A fim de avaliar os parâmetros de estresse oxidativo, utilizou-se a dosagem dos níveis da enzima superóxido dismutase (SOD) e os produtos gerados pela lipoperoxidação através do método thiobarbituric acid reative substance (TBARS). O teste de genotipagem do HCV (Abbott Realtime®) foi realizado para identificar os genótipos 1, 2, 3, 4, 5, 6 e os subtipos a e b. A quantificação de RNA-HCV na Abbott Realtime® sistema m2000. Na análise do grau de fibrose, foi utilizado FirborScan 402, o grau mais leve (F1) foi utilizado como categoria de referência. As características dos pacientes com HCV e submetidos à hemodiálise evidenciaram predominância amostral do sexo masculino (61,5%), com idade entre 36 e 48 anos (76,5%), negros (64,3%), casados (66,7%) e que estudaram até o 4° ano do ensino fundamental (83,3%). Além disso, observou-se na amostra que 54,6% possuem algumas infecções sexualmente transmissível (IST), 58,2% possuem tatuagem e 75,7% já realizaram transfusão sanguínea. Em relação aos parâmetros de estresse oxidativo, ambos grupos possuem níveis de TBARS pré e pós hemodiálise aumentados, já os HCV positivos tiveram níveis de SOD aumentados pós hemodiálise. Pacientes tratados com membrana de uso único apresentarem redução da carga viral, embora todos os pacientes do estudo tenham apresentado redução da carga viral durante a hemodiálise. Maior carga viral pós hemodiálise nos pacientes com maior grau de fibrose. Os parâmetros como genótipo, fluxo e marca do dialisador não influenciaram a média de carga viral. Pacientes HCV positivos também podem ser submetidos a hemodiálise com o dialisador e membranas adequados, pois observou-se uma melhora na enzima SOD avaliada através do sangue. Significativa relação é observada entre grau de fibrose e diferentes genótipos. Vários fatores destacam a necessidade de uma análise de alta resolução das variáveis para facilitar a formulação de estratégias terapêuticas robustas que priorizem a qualidade de vida do paciente.
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