Detecção e caracterização de β-lactamases de espectro estendido em Escherichia coli e Klebsiella spp. isoladas de pacientes com infecção do trato urinário
Autor: Juliano Lacava Pereira (Currículo Lattes)
Resumo
Um dos principais mecanismos de resistência aos β-lactâmicos em enterobactérias causadoras de infecção do trato urinário (ITU) é a hidrólise enzimática por β-lactamases de espectro estendido (ESBL). Essas enzimas promovem resistência contra penicilinas, cefalosporinas e aztreonam, e são comumente codificadas por plasmídeos que podem também expressar genes de resistência a outras classes de antimicrobianos, tais como: fluoroquinolonas, sulfonamidas e aminoglicosídeos. Dessa forma, o estudo teve como objetivo avaliar diferentes métodos de detecção de ESBL e caracterizá-las por métodos moleculares em Escherichia coli e Klebsiella spp. isoladas de pacientes com ITU atendidos no hospital universitário Dr. Miguel Riet Correa Jr. da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Foram incluídos no estudo todos os casos de ITU de origens ambulatoriais e hospitalares, causadas por E. coli e Klebsiella spp., atendidos no laboratório de Análises Clínicas do HU-FURG no período de agosto de 2012 a julho de 2013. Os dados epidemiológicos foram obtidos através do software EpiCenter, versão 6.20A (Phoenix system, BDTM) e as placas de cultura primária foram enviadas ao Núcleo de Pesquisa em Microbiologia Médica (NUPEMM) para estoque dos isolados. A caracterização molecular dos genes blaESBL foi realizada por PCR multiplex para identificar os grupos de CTX-M e por PCR seguida de sequenciamento para a identificação das famílias SHV e TEM. Para comparar diferentes métodos e tempo para a detecção de ESBL foram realizados o método disco combinado como padrão ouro, o sistema BD Phoenix, a detecção molecular e o MALDI-TOF. De um total de 435 isolados clínicos (362 E. coli, 62 Klebsiella pneumoniae e 11 Klebsiella oxytoca), a frequência de ESBL foi de 11%, com 7,7% em E. coli e 27,4% em Klebsiella spp. O gênero masculino, o ambiente hospitalar e a infecção por Klebsiella spp. foram considerados fatores de risco para presença de ESBL. A taxa de resistência em isolados produtores de ESBL foi significativamente superior em 21 dos 23 antimicrobianos testados em relação as não produtoras. O gene blaCTX-M1-Grupo foi o mais frequentemente encontrado, estando presente em 56% dos isolados produtores de ESBL de origem comunitária e em 42,4% dos de origem hospitalar. Em relação a comparação de métodos, o sistema automatizado BD PhoenixTM apresentou o índice Kappa de 1,0 em relação ao disco combinado. Já o MALDI-TOF, apresentou a menor sensibilidade, entretanto, foi o método que detectou ESBL de forma mais rápida a partir da cultura. Este estudo permitiu contribuir para o conhecimento da epidemiologia das ESBL e os fatores de risco associados na população estudada, confirmando a sua associação à resistência a múltiplos antimicrobianos. Dessa forma, a sua contínua detecção e controle é importante para diminuir o risco de falha terapêutica, principalmente em infecções do trato urinário, onde a escolha empírica é uma prática frequente. Para a detecção de ESBL, os métodos fenotípicos e moleculares apresentaram alta sensibilidade e a sua implementação poderá ser definida de acordo com a infraestrutura disponível e demanda necessária do laboratório de microbiologia clínica.
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