Tese - Ozeia Simões Franco

O SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO EM CRIANÇAS ASMÁTICAS

Autor: Ozeia Simões Franco (Currículo Lattes)

Resumo

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas e é também a doença mais prevalente na infância. É caracterizada pela hiperresponsividade brônquica e obstrução variável e reversível do fluxo de ar tendo a disfunção do sistema nervoso autônomo (SNA) como um possível fator de sua patogenia, no entanto ainda pouco compreendido. Os objetivos deste estudo foram de investigar a modulação do sistema nervoso autonômico (SNA) e sua associação com asma, gravidade e controle da doença, bem como avaliar efeito agudo da respiração diafragmática, sessão de 30 minutos, no balanço autonômico em crianças com asma. O estudo foi executado em duas fases, a Fase I foi um estudo tipo transversal com dois grupos pré-definidos, o grupo exposto foi composto por 122 crianças com idade entre 7 e 18 anos com asma, procedentes do serviço de Pneumologia Pediátrica do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Júnior, e o grupo não-exposto incluiu 56 crianças saudáveis de mesma faixa etária, estudantes de escola municipal local. Utilizamos a variabilidade da frequência cardíaca (VFC) no domínio da frequência, gravada com frequencímetro digital, para avaliar o balanço autonômico através dos componentes espectrais: baixa frequência (LF) e alta frequência (HF), expressos em milissegundos ao quadrado (ms²) e em unidades normalizadas (nu) e a relação LF/HF em milissegundos ao quadrado (ms²). Já a Fase II, foi um ensaio clínico randomizado em grupos paralelos, onde foram incluídas 122 crianças asmáticas alocadas em dois grupos: 61 no grupo intervenção com respiração diafragmática e 61 no grupo controle. Avaliados com a mesmo método. Também foram avaliados a gravidade, o controle da asma e a função pulmonar das crianças asmáticas incluídas. Ao comparar as crianças asmáticas com crianças sadias, as crianças asmáticas apresentaram predomínio parassimpático representado pelo maior valor de HF (nu) e os menores valores de LF (nu) e de razão LF/HF, o que indica desequilíbrio na modulação autonômica das crianças asmáticas. Constatamos uma associação linear positiva entre o componente HF (nu) e a gravidade de asma ao comparar asmáticos aos seus pares não-asmáticos. Não encontramos diferença estatística em nenhum dos parâmetros de VFC no que diz respeito ao controle da asma. Quanto a intervenção com respiração diafragmática: tivemos grupos semelhantes na avaliação basal, sendo que trinta e quatro (55,7%) pacientes do grupo intervenção e 33 (54,1%) no grupo de controle tiveram o desequilíbrio de SNA avaliado pela razão LF/HF (ms2) (p = 0.86).  No grupo de intervenção, 17 das 34 (50%) pacientes que tinham o desequilíbrio autonômico basal apresentaram o balanço autonômico normal, imediatamente após o término da intervenção; enquanto apenas 24,2% (8/33) dos pacientes no grupo de controle apresentaram a correção do desequilíbrio autonômico basal no mesmo ponto de tempo da avaliação (p = 0,02). Porém, não houve diferença significativa entre dois grupos na taxa de correção do desequilíbrio autonômico basal 5 minutos depois do término da intervenção (p = 0,67). Com este estudo concluímos que o desequilíbrio na modulação autonômica é caracterizado pela predominância do componente parassimpático, está associado com a asma e sua gravidade, mas não ao nível de controle da doença. Trinta minutos de respiração diafragmática promoveram um maior equilíbrio no balanço autonômico em crianças asmáticas, perdendo seu efeito 5 minutos após o término do exercício.

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