INCONTINÊNCIA URINÁRIA NA GESTAÇÃO: UM ESTUDO DE BASE POPULACIONAL NO EXTREMO SUL DO BRASIL
Autor: Hsu Yuan Ting (Currículo Lattes)
Resumo
Introdução: a incontinência urinária (IU) é uma patologia frequente que traz prejuízo importante ao bem-estar e a qualidade de vida da gestante. O objetivo deste estudo foi medir a prevalência e identificar fatores associados à ocorrência de IU no período gestacional entre puérperas residentes no município de Rio Grande, RS, Sul do Brasil, no ano de 2016.
Metodologia: trata-se de estudo transversal de base populacional que incluiu todas a puérperas residentes neste município que tiveram filho em uma das duas únicas maternidades locais entre 01/01 a 31/12 de 2016. As entrevistas foram realizadas ainda no hospital em até 48 horas após o parto, ocasião em que entrevistadoras previamente treinadas utilizaram questionário único, padronizado, buscando informações sobre caraterísticas demográficas, comportamentais, história reprodutiva e obstétrica materna, bem como nível socioeconômico da família e assistência recebida durante a gestação e o parto. A análise multivariável obedeceu a modelo hierárquico previamente definido, utilizou-se regressão de Poisson com ajuste robusto da variância e a razão de prevalências (RP) como medida de efeito.
Resultado: Dentre as 2.716 puérperas identificadas, 2694 (99,2%) participaram deste estudo. A prevalência de incontinência urinária no período gestacional foi de 14,7% (IC95%:13,4%-16,1%). A menor taxa de IU observada (8,3%) se deu entre puérperas adolescentes (<20 anos), enquanto a maior ocorreu entre aquelas que referiram urgência miccional quase sempre (39,2%). A probabilidade de ocorrência de IU, mesmo após ajuste, foi significativamente maior entre aquelas que engravidaram antes dos 20 anos, que chegaram ao final da gestação pesando 90 kg ou mais, que realizaram exercício físico de forma regular durante a gravidez e que referiram urgência miccional quase sempre ao longo do período gestacional.
Conclusão: A incontinência urinária mostrou elevada prevalência na população estudada. Os fatores de risco identificados podem ser bem manejados em nível de atenção primária em saúde. A recomendação de exercício físico regular na gestação, apesar de ser benéfica em vários aspectos da saúde materno-fetal, precisa ser melhor investigada com delineamentos mais robustos em virtude da possibilidade de estar facilitando a ocorrência de IU neste período.
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