Esporotricose humana no Sul do Rio Grande do Sul: etiologia, epidemiologia e suscetibilidade in vitro dos isolados clínicos de Sporothrix spp. frente a compostos sintéticos
Autor: Tchana Martinez Brandolt (Currículo Lattes)
Resumo
A esporotricose é uma micose subcutânea, encontrada principalmente emáreas tropicais e subtropicais, causada por espécies docomplexo Sporothrix schenckii. Nas últimas décadas, a transmissão zoonótica por felinos domésticos tem modificado a epidemiologia da doença, sendo a esporotricose definida como uma doença infecciosa emergente. Embora o estado do Rio Grande do Sul seja considerado endêmico para esporotricose, a maioria dos casos descritos são em felinos, havendo escassez de dados a respeito da doença em humanos. Em adição, a pouca disponibilidade de fármacos com ação antifúngica disponíveis, associada aos relatos de resistência in vitro, bem como de falhas terapêuticas em casos de esporotricose instiga a busca por novos compostos com atividade antifúngica frente a Sporothrix spp.. Assim, este estudo objetivou descrever o perfil clínico-epidemiológico e o agente causador da esporotricose humana no extremo Sul do Rio Grande do Sul, e sua suscetibilidade in vitro à compostos sintéticos coordenados com Cobalto. Foi realizado um estudo retrospectivo incluindo todos os casos de esporotricose humana provenientes de pacientes atendidos no Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio Grande (HU-FURG) em Rio Grande, RS, Brasil, e de casos notificados no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Pelotas, entre outubro de 2012 e outubro de 2017. Foram realizados testes de suscetibilidade in vitro pela técnica de microdiluição em caldo, conforme o Protocolo M38-A2 do CLSI (2008) em 31 isolados clínicos de Sporothrix spp. (27 S. brasiliensis e 04 S. schenckii stricto sensu) frente ao Cloreto de Cobalto (Co) Hexaidratado, dois compostos sintéticos contendo Co e ao itraconazol (ITC). Entre outubro de 2012 e outubro de 2017, 101 casos de esporotricose humana foram diagnosticados, sendo a maioria em mulheres, com idade entre 18 e 59 anos. Forma cutânea fixa ou linfocutâneada doença ocorreu em mais de 70% dos casos, e transmissão zoonótica emmais de 90%. Atividade antifúngica dos compostos contendo Co e do Cloreto de Co Hexaidratado foi encontrada em concentrações entre 32µg/ml e 128µg/ml frente a todos os isolados de ambas espécies de Sporothrix, sem diferença significativa entre as espécies. Já para o ITC as concentrações variaram entre 0,25µg/ml e >16µg/ml, também sem diferença significativa entre as espécies. O grande número de casos diagnosticados em um curto espaço de tempo torna a esporotricose um importante problema de saúde pública na região, instigando intervenções ativas no controle desta doença. Aliado ao crescimento no número de casos, os resultados encontrados nos testes de susceptibilidade in vitro sugerem um potencial terapêutico do Cobalto, instigando mais estudos sobre os possíveis alvos e/ou mecanismos de ação, bem como testes para conhecimento da toxicidade do composto e sua aplicabilidade em conjunto com antifúngicos
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