DIVERSIDADE GENÉTICA, PERFIL DE SENSIBILIDADE AOS ANTIBÓTICOS E DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DE ISOLADOS CLÍNICOS DE Mycobacterium tuberculosis NO EXTREMO SUL DO BRASIL
Autor: Fernanda de Souza Abilleira (Currículo Lattes)
Resumo
A tuberculose (TB) é uma doença bacteriana crônica infectocontagiosa que, apesar de constantes pesquisas ao longo dos anos, continua a ser um importante agravo à saúde global e uma das principais causas de morte, particularmente nos países em desenvolvimento. A doença é causada pelo Mycobacterium tuberculosis, transmitida por via aérea e considerada de fácil transmissão. O controle da doença depende de vários fatores, dentre os quais, o correto diagnóstico, o tratamento completo e o manejo adequado dos pacientes com a doença ativa para evitar a transmissão. A convergência das epidemias de TB e Imunodeficiência Humana (HIV), as falhas de tratamento e o aumento do número de cepas resistentes tornaram este cenário um desafio ainda maior para a saúde pública em todo o mundo. O estudo dos genótipos dos microrganismos circulantes em uma região, tem contribuído para a melhor compreensão da dinâmica da doença. Além disso, a correlação entre os perfis genéticos e a distribuição espacial dos casos tem se mostrado uma ferramenta útil para a vigilância, prevenção e controle da TB. O objetivo deste estudo foi a análise da diversidade genética de isolados clínicos de M. tuberculosis de pacientes dos municípios de Pelotas e Rio Grande – RS, através da análise do número variável de unidades repetitivas (MIRU-VNTR) em 15 loci. Foram analisadas 339 amostras, coletadas entre janeiro de 2011 a dezembro de 2014, de pacientes provenientes dos dois municípios. Em Pelotas, as amostras de pacientes vivendo com HIV/AIDS totalizaram 34,3%, enquanto retratamento e cepas resistentes constituíram 44,7% e 8,7% das amostras, respectivamente. Pela análise dos padrões moleculares dos isolados, foram encontrados 115 genótipos órfãos e 51 em clusters contendo 1 a 8 amostras. Na cidade de Rio Grande, das 171 amostras, 108 (63%) eram de pacientes vivendo com HIV/AIDS. Este grupo também apresentou 14,5% de amostras resistentes. Através da genotipagem pode-se identificar 127 amostras com um único padrão genético e 54 amostras agrupadas. Adicionalmente, as amostras foram georreferenciadas e pode-se observar uma distribuição aleatória destes pelos dois municípios. A distribuição dos casos mostrou que, visualmente, houve relação entre a doença e a situação socioeconômicas da população e uma grande variabilidade genética de cepas circulantes. Pode-se também observar, apesar da grande variabilidade genética, que há indícios de transmissão recente da doença, principalmente entre as pessoas privadas de liberdade.
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